Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Se Dilma não governar com Lula, 'vai acabar sofrendo impeachment', diz presidente do PT-RJ

Washington Quaquá afirmou que nomeação do ex-presidente para ministério é mudança que vai atrair apoio de movimentos sociais e partidos de esquerda; segundo ele, essa é a única saída para Dilma se manter na Presidência

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2016 | 12h54

RIO - O presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, afirmou nesta terça-feira, 15, que a ida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o governo vai facilitar a mobilização para as passeatas da próxima sexta-feira, 18, em defesa do petista e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Para Quaquá, a nomeação de Lula ministro é a única saída para Dilma se sustentar no cargo. “Ou (Dilma) governa em parceria com Lula, ou vai acabar sofrendo impeachment. Ela foi eleita com apoio e por causa do Lula, ninguém duvida disso. Não há nenhum demérito em levá-lo para o governo”, disse o dirigente.

Segundo Quaquá, a chegada de Lula ao ministério é indicativo de mudança no rumo da economia e de nova articulação política. Ele avalia que a mudança atrairá para o governo movimentos sociais, sindicalistas e simpatizantes do PT e outros partidos de esquerda para as manifestações do dia 18. Seu objetivo é fazer um contraponto aos protestos contra o governo e em defesa da Operação Lava Jato, ocorridos em todo o País no domingo, 13.

“A ida de Lula para o governo ajuda na mobilização. O que eu digo é ‘Dilma, nos ajude a te ajudar’. A manifestação de domingo foi mais do mesmo. Sabemos que nossos adversários estão mobilizados. O problema é o nosso lado. Governar com essa política de ajuste fiscal não unifica o partido. Se eles colocaram 3 milhões nas ruas, pode ter 8 milhões, 9 milhões em defesa da Dilma, se ela mudar a política econômica e voltar ao que ela era no segundo turno de 2014”, afirmou Quaquá. “Lula no governo será capaz de barrar o golpe, mudar a política econômica, a articulação política. Só ele é capaz de mudar esse movimento contra o governo, que está muito forte”, avaliou.

Quaquá afirmou que, se o impeachment avançar , as alianças do PT com o PMDB para as eleições municipais, como a que está firmada no Rio de Janeiro, terão que ser revistas. Em convenção nacional, peemedebistas sinalizaram distanciamento do governo, proibiram filiados de assumirem cargos no Executivo federal e intensificaram o discurso de que o vice-presidente Michel Temer, presidente do PMDB, é a pessoa capaz de tirar o País da crise.

“Se houver uma cisão institucional no País, tudo tem que ser reavaliado. A presidente foi eleita, a institucionalidade tem que ser respeitada. Caso contrário, tudo vai mudar”, afirmou.

No Rio, o PT fechou apoio ao candidato do PMDB à sucessão do prefeito Eduardo Paes, o secretário de Coordenação de Governo, Pedro Paulo Carvalho Teixeira. Apesar da fragilidade da candidatura de Pedro Paulo depois que se tornaram públicas as agressões à ex-mulher, ocorridas em 2008 e 2010, o PT-RJ decidiu manter a coalizão com o PMDB, que enfrenta resistência de petistas como o senador Lindbergh Farias. Pedro Paulo, que é deputado federal licenciado, responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por lesão corporal.

Um grupo de petistas começa a discutir a formação de uma dissidência no partido, caso seja mantido o apoio a Pedro Paulo. A alternativa seria apoiar o pré-candidato do PSOL, deputado estadual Marcelo Freixo. Outra opção é o deputado federal Alessandro Molon, que trocou o PT pela Rede.

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