Se depender de bolão, Zoghbi sai

Só 20% das apostas indicam demissão de Agaciel

, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

Um bolão está circulando pelo Senado. Não é sobre futebol, muito menos loteria. O que está valendo é o futuro dos ex-diretores da Casa Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi. Servidores efetivos apostam até R$ 100 na sorte dos dois, acusados de vários desmandos administrativos nos últimos anos.Cerca de 800 funcionários já fazem parte do jogo.Um calhamaço de assinaturas com o registro do valor apostado por cada servidor passou de mão em mão durante a semana. O documento já circulou pela Secretaria de Informática, serviço médico, almoxarifado, gráfica e garagem. Deve "subir" para os gabinetes dos senadores a partir de segunda-feira. O servidor deve apostar em quem será demitido. Se achar que os dois receberão a punição, deve fazer duas apostas de no mínimo R$ 30 e no máximo R$ 100 por jogo. Até o momento, Zoghbi é favorito para a degola, com 80% dos votos. Poucos acreditam na saída de Agaciel dos quadros do Senado, principalmente em razão do poder acumulado por ele internamente nos últimos anos. A prática de bolão é comum dentro do Senado para jogos de futebol. Pela primeira vez, aposta-se no futuro de ex-diretores. O documento que contém as assinaturas informa que a iniciativa do bolão é "espontânea" e sem um "responsável direto". Zoghbi deixou a Secretaria de Recursos Humanos em março, após a revelação de que repassou aos filhos um apartamento funcional. No momento, sofre um processo administrativo sobre sua participação em um suposto esquema irregular na concessão de empréstimos consignados no Senado. Ele teria usado uma ex-babá como laranja em uma empresa que intermediava contratos entre bancos e o Senado. O ex-diretor de Recursos Humanos nega as suspeitas.Agaciel foi exonerado da Diretoria-Geral em março, depois da acusação de que ocultou a propriedade da mansão milionária onde mora em Brasília. É alvo de uma sindicância interna sobre os atos secretos e deve responder a um processo administrativo. Os dois podem ser expulsos do serviço público.

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