Se chapa for cassada, jamais me insurgiria, diz Temer sobre ações no TSE

Presidente reiterou, porém, em entrevista à jornalista Miriam Leitão, que 'é inadmissível' culpar o vice da chapa por erros cometidos por quem concorria à Presidência

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2016 | 22h30

RIO - O presidente Michel Temer afirmou nesta quinta-feira, 13, que, caso a chapa em que concorreu como vice de Dilma Rousseff em 2014 seja cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele aceitará a decisão. Mas reiterou que "é inadmissível" culpar o vice da chapa por erros cometidos por quem concorria à Presidência. As declarações foram dadas em entrevista ao programa Miriam Leitão, da GloboNews.

"Eu tenho sustentado que, analisando a Constituição, são diferentes a figura do presidente da República e a do vice-presidente. No presidencialismo, a única razão da figura do vice-presidente é que se houver algum problema constitucional, o vice assume", comentou.

"Essa questão de responsabilizar o vice responsabilizando o presidente é mais ou menos como o sujeito que atropela alguém, o condutor é condenado, mas como eu estava sentado ao lado eu vou ser condenado também. É inadmissível", afirmou. Temer, contudo, disse que irá respeitar a decisão judicial. "Se decorridos todos os recursos processuais que serão cabíveis e o Judiciário decidir que a chapa deva ser cassada, você sabe que eu prezo pela reconstitucionalização do País. Eu jamais me insurgiria contra uma decisão definitiva do Poder Judiciário."

O presidente também voltou a afirmar que não será candidato em 2018. "Pela centésima vez: eu não sou. Nestes meus dois anos e três meses eu quero colocar o País nos trilhos", disse. "Não me incomodo com popularidade."

Temer também se defendeu das citações ao seu nome na Operação Lava Jato. "O senador Delcídio Amaral disse uma coisa lá - a acusação é essa -, que eu patrocinei a nomeação de um diretor da Petrobras há não sei quantos anos. Vou esclarecer novamente: eu era presidente do partido, e um deputado da bancada me trouxe o nome de um dos diretores da Petrobras, que me apresentaram. Foi a ocasião que eu cruzei com ele e apresentei o nome", disse.

"Uma outra menção, feita por um ex-diretor, acho que ex-presidente da Transpetro, disse que eu me encontrei com ele numa salinha reservada lá na base aérea, e subterraneamente pedi uma contribuição para um candidato a prefeito em São Paulo. Primeiro, não tem essa salinha no aeroporto. Segundo que me encontrei com ele muitas vezes no Jaburu, na vice-presidência, não precisava me esconder. Terceiro ponto, convenhamos que, a essa altura, eu acho que tenho prestígio suficiente para não precisar dele, que é um sujeito secundário, para pleitear alguma contribuição."

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