ED FERREIRA/ESTADAO
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Se a sessão foi leve, é porque os fatos são leves, afirma Cunha

Investigado por suspeitas de envolvimento com a Lava Jato, presidente da Câmara comparece à CPI da Petrobrás, mas é poupado pela maioria dos parlamentares

DANIEL CARVALHO, DAIENE CARDOSO E PEDRO VENCESLAU, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 15h45

Brasília - Após quatro horas e meia de elogios e homenagens, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deixou a CPI da Petrobrás, na tarde desta quinta-feira, 12, fazendo críticas ao governo e desqualificando a petição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que fosse investigado.

Cunha foi festejado por dezenas de deputados e pressionado apenas por dois deles, Ivan Valente (PSOL-SP), e Clarissa Garotinho (PR-RJ), filha do ex-governador do Anthony Garotinho (RJ), antigo aliado e hoje desafeto do deputado. Para o presidente da Câmara, se a sessão foi leve, isso se deve à fragilidade dos argumentos de Janot.

"Não tem nem fácil nem difícil, nem leve nem pesado. Tem os fatos. Me ative aos fatos. Se você acha que foi leve, é porque os fatos são leves", afirmou em entrevista concedida logo após a sessão. "Não vim atrás de elogios ou apupos. Vim atrás da verdade e procurei mostrar a verdade e esclarecer os fatos", disse o deputado.

Com 34 parlamentares na lista de investigados até o momento, Cunha voltou a afirmar em entrevista após a sessão que a crise não é do Legislativo e que o Executivo tenta se eximir de responsabilidade.

"A corrupção não está no Poder Legislativo. Se alguém do Poder Legislativo participou do processo de corrupção, isso faz parte de um processo que não começou no Poder Legislativo", afirmou. "Me parece que tentaram dividir a crise. Essa crise não tem que ser dividida. Tem que se apurar e punir todos, mas não pode dividir essa crise", disse o presidente.

Questionado sobre a seriedade da CPI, Cunha defendeu a comissão presidida por seu aliado Hugo Motta (PMDB-PB). "A Casa tem uma CPI que está funcionando e está funcionando tão bem que vim aqui prestar os esclarecimentos para ela com toda normalidade", disse.

Após apontar fragilidades na petição que pede que senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) seja investigada, Cunha foi poupado até por petistas. "O que quis dizer é que o procurador escolheu quem quis investigar. Até citei que as motivações que ele colocou para a senadora Gleisi Hoffmann são absurdas. Ou ele abriria para todo mundo ou não deveria ter aberto para ela", afirmou, apontando fragilidades também na peça da Procuradoria-Geral da República que poupou o senador Delcídio Amaral (PT-MS) de ser investigado.

Eduardo Cunha foi à CPI voluntariamente. A comissão ainda não aprovou nenhum requerimento de convocação de políticos ou empreiteiros. Questionado se outros parlamentares, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deveriam fazer o mesmo, Cunha os poupou. "Não vou aqui utilizar o expediente, pelo fato de eu ter feito, para constranger quem quer que seja. Cada um sabe do exercício de seu mandato e daquilo que deve fazer".

Perguntas. Em seu depoimento à CPI, Cunha se recusou a abrir espontaneamente seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. Afirmou que só faria isso se instado pela comissão. O pedido foi feito por Ivan Valente e reiterado por Clarissa Garotinho.

"(Não quis abrir espontaneamente meus sigilos) porque achei que aquilo era uma atitude hipócrita, apenas fazer uma bravata única e exclusivamente para constranger todos aqueles que foram citados a fazer o mesmo. Não vamos fazer um espetáculo. Se a comissão entender que deve, ela faz", afirmou.

Em entrevista, Cunha respondeu a um questionamento de Clarissa Garotinho que havia deixado sem resposta durante a sessão. A deputada perguntou se o presidente da Câmara possui contas no exterior ou se é sócio de empresa offshore. "Não tenho nenhum recurso, não sou sócio de nenhuma empresa. Tudo o que eu tenho está no meu imposto de renda", afirmou. "Não sou sócio de nenhuma offshore, não mantenho conta no exterior de nenhuma natureza".

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