SBT é intimado a reconhecer erro em entrevista com PCC

A situação do SBT no caso da entrevista exibida no programa Domingo Legal com supostos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) está cada vez mais complicada. Um exame considerou altamente compatível a voz de um funcionário do apresentador Gugu Liberato com a do homem que se identificou como bandido.O outro motivo veio da Procuradoria da República. A emissora foi intimada a responder em 48 horas se concorda ou não em assinar um termo de ajustamento de conduta, reconhecendo o erro e prometendo não repeti-lo. Caso se negue, o SBT pode ser alvo de uma ação civil pública na qual pode ser obrigado a pagar indenização e ter suspensa ou cassada a concessão da emissora.Para a procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Eugênia Fávero, "o SBT feriu a ética e os princípios constitucionais que devem nortear a concessão do serviço público". O exame de comparação da voz do funcionário do SBT com a do bandido foi feito pelo perito criminal e professor da Unicamp Ricardo Molina. O material analisado tem limitações, pois foram comparadas a voz do funcionário na mensagem da caixa postal de seu telefone celular com a do suposto bandido. Molina apontou outros fatos que o levam a concluir que "aquilo não é autêntico", como o fato de no lugar da entrevista haver iluminação homogênea. A polícia obteve hoje a fita com cópia da entrevista dos supostos membros do PCC. O Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) suspeita que a entrevista tenha sido uma fraude.Policiais do Deic tomaram hoje o depoimento do repórter Wagner Mafezoli, que fez a entrevista. Ele negou a fraude. Admitiu haver a possibilidade de ele ter sido vítima de uma armação, mas disse não acreditar nisso. A Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa do Estado decidiu convocar Mafezoli para depor. O requerimento foi apresentado pelo deputado Romeu Tuma Junior. "O que houve é algo absurdo." A reportagem procurou a assessoria do SBT, mas não obteve resposta.

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