Saulo Ramos aconselhou presidente na decisão de anular atos secretos

O advogado Saulo Ramos está aconselhando o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na crise política e administrativa que tomou conta da Casa. A ideia de anular os 663 atos secretos, anunciada anteontem por Sarney, foi sugerida e discutida previamente com ele. Saulo, de 80 anos, foi consultor-geral da República e ministro da Justiça no governo Sarney (1985-1990).   Veja Também: Sarney deve renunciar ao cargo, cobram senadores Aliados do governo vão controlar CPI da Petrobrás 'A Mesa é a responsável e deve ser punida por isso' ESPECIAL MULTIMÍDIA: Entenda os atos secretos e confira as análises  ESPECIAL: O que será apurado na CPI e a cronologia do caso   Galeria: vista aérea da casa particular de José Sarney na Península dos Ministros   Confira a lista dos 663 atos secretos do Senado  O ESTADO DE S. PAULO: Senado acumula mais de 300 atos secretos  O ESTADO DE S. PAULO: Neto de Sarney agencia crédito no Senado  No dia anterior ao anúncio do cancelamento dos atos secretos - uma decisão mais política do que administrativa -, Ramos havia escrito um artigo defendendo Sarney e dizendo que o senador é alvo de "vinganças miúdas" e que a mídia e os adversários estão tentando "esfarelar (com) intrigas de interesses subalternos" a "grandeza" do seu trabalho de meio século.Por trás de tudo, afirmou o advogado, em artigo publicado na edição de domingo passado do jornal Folha de S. Paulo, estariam "ambições eleitorais a serem testadas no próximo ano".Para o advogado, o presidente Sarney está sendo alvo de críticas e denúncias em um processo semelhante ao sofrido quando governou o País. Ramos diz que os "atos secretos" serviram para "plantar futricas".Com o assunto discutido ao longo do fim de semana, a estratégia de Sarney incluiu outra decisão. Ele pediu ao seu secretário de imprensa, o jornalista Chico Mendonça, para proibir todos os servidores de alto escalão de fazer comentários e avaliações de qualquer natureza sobre a decisão. Mendonça nega e alega que a opção pelo silêncio foi tomada em conjunto com os servidores.Ontem, o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), articulou para convencer Sarney a recuar da anulação. Alegou que isso poderia criar um imbróglio jurídico. Mas não adiantou. O ato foi publicado ontem à noite. Agora, uma comissão está fazendo uma triagem para identificar, rapidamente, quantas pessoas nomeadas secretamente ainda trabalham na Casa.

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