Saulo é a aposta 'linha dura' de Alckmin

Único nome praticamente garantido no 1º escalão do próximo mandato, atual chefe da Casa Civil tem a confiança do governador

RICARDO CHAPOLA, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2014 | 02h00

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) caminha para o fim de seu primeiro mandato sem sinalizar os integrantes da equipe do novo governo a partir de janeiro do ano que vem. Até agora, o único nome praticamente garantido no primeiro escalão é o de Saulo de Castro, atual chefe da Casa Civil. Ele está no comando da pasta há seis meses, período em que a crise de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo só se agravou. A aposta de Alckmin, reeleito no 1.º turno, é manter na gerência da administração estadual um nome da "linha dura" de sua lista de aliados.

Homem de confiança do governador, considerado um "bom tocador de obras" e administrador "pulso firme", Saulo, de 47 anos, cumpre como um verdadeiro "gerentão" as atribuições de gestão da pasta. Desde que assumiu, recebeu a missão de dar total atenção aos temas competentes à administração e abandonar as funções políticas da Casa Civil. O motivo, segundo integrantes do governo, é a incompatibilidade de seu perfil com temas voltados à articulação política.

Temperamento. Ex-promotor de Justiça e mestre em direito, Saulo se aproximou de Alckmin quando era presidente da Febem, em 2001, depois da morte do ex-governador Mário Covas. Após assumir a Secretaria de Segurança Pública, em janeiro de 2002, Saulo foi acusado de comandar em março a Operação Castelinho, em que policiais executaram 12 criminosos ligados ao PCC na praça de pedágio do km 12,5 da Rodovia José Ermírio de Moraes, conhecida como "Castelinho". O Ministério Público considerou a ação "desnecessária, gratuita e macabra de força" e pediu a condenação do secretário. A ação foi arquivada em 2005 e reaberta em 2011 pelo STJ.

Em 2004, Alckmin bancou o nome de Saulo para a disputa pela Prefeitura de São Paulo. O então secretário já se movimentava para participar da convenção partidária, mas José Serra acabou aceitando concorrer à sucessão de Marta Suplicy (PT), enterrando a movimentação interna no PSDB.

Polêmicas. Durante sua gestão na secretaria de Segurança, Saulo teve outros momentos polêmicos. Ele chegou a ser investigado por abuso de poder por acionar um grupo de elite da Polícia Civil para averiguar congestionamento em frente ao restaurante japonês no qual jantava com a mulher. Também protagonizou o episódio em que mostrou o dedo médio a deputados durante um depoimento prestado à Comissão de Segurança Pública na Assembleia em 2006. Sob seu comando, a Secretaria de Segurança Pública foi alvo de investigação da Promotoria de Justiça de São Paulo por suspeitas de a pasta usar as verbas de operações policiais sigilosas.

No seu próximo mandato, o plano de Alckmin é aliar o rigor de Saulo com a habilidade política de Edson Aparecido - que deixou a Casa Civil para assumir a coordenação da campanha à reeleição. A tendência é que o governador esvazie as atribuições da Casa Civil, mantendo nela apenas as funções políticas, que devem ficar sob comando de Aparecido. Saulo continuaria tocando o governo, mas realocado em outra pasta. No caso, o rumor mais forte no Palácio dos Bandeirantes é de que Alckmin vai ressuscitar a antiga secretaria de Governo, criada na gestão de Covas. Procurado pelo Estado na semana passada, Saulo de Castro se recusou a atender aos pedidos de entrevista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.