Saúde quer R$ 4,5 bilhões para assistência farmacêutica

O secretário de gestão de investimentos do Ministério da Saúde, Geraldo Biasoto, afirmou hoje que a parcela destinada à assistência farmacêutica prevista no orçamento federal de saúde, hoje de R$ 1,5 bilhão, é insuficiente para aumentar o acesso da população aos medicamentos. Ele disse que seriam necessários mais R$ 3 bilhões ao ano. "A assistência farmacêutica sempre foi posta em segundo plano", disse, durante um seminário em São Paulo.Segundo Biasoto, outros problemas que dificultam a política pública de acesso a medicamentos são a falta de conhecimento do mercado consumidor e a segmentação dos mercados pelas indústrias.Sobre o controle de preços de medicamentos feito pelo governo, Biasoto acredita que é "algo inevitável", respondendo às críticas dos fabricantes em relação à intervenção do Estado. O secretário disse ainda que deve haver uma mudança na postura de alguns fabricantes. "A indústria quer ganhar por unidade vendida e não por quantidade. Esta relação tem de ser invertida."O gerente de assuntos corporativos da Bristol-Myers, Antônio Carlos Salles, disse que é "obsoleta a política de tabelamento de preços do governo". "Não faz parte do mundo moderno o controle de preços. Em nenhum país do mundo isso funcionou."Geraldo Biasoto disse que é impossível não interferir porque o consumidor de medicamentos não é livre e há vários segmentos onde não existe concorrência. O secretário declarou ainda que a idéia de oferecer desconto a pacientes do SUS em farmácias credenciadas pelo governo está sendo estudada como alternativa para melhorar o acesso dos medicamentos à população.

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