Saúde quer acabar com hanseníase até 2005

Uma campanha de rádio e televisão que começa a ser veiculada nos próximos dias marca o início de uma missão ambiciosa: erradicar a hanseníase do Brasil até 2005. Para abandonar o posto de segundo colocado do mundo no número de casos da doença, o Ministério da Saúde estabeleceu como meta uma redução anual de 30%.Com isso, dos 72,5 mil casos atuais, o País passaria a ter menos de um paciente para 10 mil habitantes até 2005. Um plano para erradicar a doença até 2000 já havia sido sugerido, mas não teve sucesso.Além da campanha, o Ministério da Saúde desencadeou um conjunto de medidas para reduzir os números da doença. Para incentivar o diagnóstico, criou um bônus de notificação: secretarias municipais receberão R$ 60 a cada caso novo informado. Às secretarias estaduais serão dados R$ 10 por paciente. O ministério também pretende incentivar a capacitação de profissionais de saúde e promover mutirões para a detecção da doença.Tais medidas serão adotadas com prioridade em alguns municípios. Os critérios são incidência da doença e taxa populacional. A tática desagradou ao coordenador do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio. "Não podemos nos guiar por taxas epidemiológicas, pois há um grande vazio de informação", disse.Em um levantamento feito pela entidade nos 956 municípios que serão atendidos pelo Programa Fome Zero, havia registros da doença em apenas 169. "Muitos casos já em estágio avançado", segundo Custódio. O coordenador defende que as ações sejam descentralizadas para atender às necessidades específicas de cada lugar."No Rio Grande do Sul não há mais casos da doença. Mas, se o trabalho também não for feito lá, certamente o problema ressurgirá." Custódio, que apóia o programa, espera que algumas modificações sejam feitas.Embora seja curável, há ainda grande número de pacientes que procuram o médico quando a doença já está em estágio avançado. Uma parcela significativa abandona o tratamento. O comportamento é atribuído ao estigma que acompanha o paciente. São esses os temas que serão abordados na campanha de rádio e televisão.Produzida pela Fundação British Broadcasting Corporation (BBC), a campanha será veiculada gratuitamente. O programa de combate à hanseníase conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde, a Pastoral da Criança e o Morhan.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.