Saúde e educação melhoraram, mas renda é baixa, diz IBGE

Os dados mais recentes do Censo 2000 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam os avanços em saúde e educação na década de 90, indicam a baixa renda do trabalhador e revelam importantes mudanças nas características e no comportamento dos 169,7 milhões de brasileiros. Em dez anos, a mortalidade infantil caiu 38%, passando de 48 mortes de bebês por mil nascidos vivos para 29,6/1000. Houve também melhorias na taxa de escolarização. Em 2000, 94,9% das crianças de 7 a 14 anos estavam na escola. O desafio está no índice ainda alto de analfabetos funcionais, aqueles que têm menos de três anos de estudos e representam 31,2% da população.Em relação à religiosidade, o Censo 2000 captou uma mudança significativa. Embora continue a ser um País majoritariamente católico, a proporção de fiéis da Igreja Católica caiu de 83,8% da população para 73,8%. Uma queda de 12%. Ao mesmo tempo, houve um crescimento de evangélicos e de pessoas que se declararam sem religião. A pesquisa revela ainda que cresceu a proporção de habitantes negros, que passaram de 5% para 6,2% da população. A explicação mais provável é que há maior autoafirmação entre os negros, que deixaram de se indentificar como pardos para os recenseadores. O Brasil continua tendo maioria branca: 53,8% da população.No levantamento sobre emprego e renda, o IBGE constatou em agosto de 2000 que quase um quarto da população ocupada (24,4%) ganhava até um salário mínimo. Entre todos os brasileiros que têm renda (incluindo não só salários, mas pensões, aposentadorias, etc), o índice dos que recebiam até um salário mínimo era ainda maior: 30,7%. Mesmo assim, cresceu a proporção de pessoas que têm bens duráveis. Rádio, televisão e geladeira continuam sendo os objetos mais comuns nos domicílios brasileiros. Mas os que tiveram maior crescimento foram linha telefônica (113%), automóvel (41,6%) e a máquina de lavar (26%).Os resultados referem-se à parte dos questionários completos aplicados no censo, com 90 perguntas sobre 11 itens. Foram aplicados 5,8 milhões de questionários, mas o IBGE divulgou dados preliminares de 108 mil domicílios. As informações dão boas pistas aos candidatos à Presidência da República dos problemas que o novo governante terá de enfrentar. Os recenseadores descobriram em agosto de 2000, por exemplo, a existência de um milhão de crianças de 10 a 14 anos que trabalhavam, sendo 95 mil em carga horária de mais de 49 horas semanais. Outro desafio é a gravidez na adolescência. A taxa de fecundidade nas jovens de 15 a 19 anos é a única que cresce no País. "Os brasileiros não vão mudar seus votos por causa do Censo. Mas não votar com mais consciência e vão mudar sua visão de mundo através dos dados que o IBGE propicia", comentou o presidente do instituto, Sérgio Besserman Vianna.Uma interessante mudança no comportamento da população foi descoberta na pesquisa sobre casamento. Os brasileiros estão optando cada vez mais por uniões não-legalizadas. A união consensual subiu de 18,3% para 28,3% entre homens e mulheres que vivem com um cônjuge. Mesmo assim, a maior parte dos casais ainda escolhe o casamento no civil e no religioso.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.