Saúde domina dia de campanha em São Paulo

Os problemas de saúde na cidade de São Paulo foram o principal tema dos candidatos à sucessão da prefeita Marta Suplicy neste sábado. Pela manhã, em caminhada pela Vila Santa Catarina, na zona sul da cidade, Paulo Maluf, do PP, afirmou que seus principais adversários na disputa eleitoral tentam conquistar o eleitor na disputa pelos remédios, mas que em sua avaliação essa briga mostra ?que os dois falharam na saúde pública?. ?A Marta falhou porque acabou com PAS e não colocou nada no lugar. O Serra falhou na saúde pública e hoje eles estão tentando conquistar o eleitor pelos remédios que não têm e pelos médicos que não têm?.Aos eleitores que o abordavam na rua, Maluf disse que reimplantará o PAS e que conseguirá apoio do governo federal. ?Comigo, o presidente Lula e o ministro da Saúde, Humberto Costa, vão trabalhar bem, e o governo do Estado também?. Em outro ponto da cidade, onde participou de uma caminhada com o governador Geraldo Alckmin no bairro de São Mateus, zona leste, José Serra criticava o que chamou de ?sucateamento? do programa Qualis, programa de saúde da família que o Estado repassou para a Prefeitura. Segundo Serra, que parou de carro em frente a um posto do Qualis com aspecto descuidado, o governo estadual havia repassado as 200 equipes na capital para a prefeitura, que não deu a devida continuidade ao programa. ?A Prefeitura disse que aumentou para 600 equipes, mas mantém equipes sem médicos, então essas não contam?, afirmou Serra. Ele aproveitou para anunciar que pretende duplicar a capacidade do programa. ?Vamos passar para 1500 equipes nos próximos dois anos?. Já o governador evitou fazer críticas diretas à gestão do programa pela prefeitura, dizendo apenas que o atendimento prioritário é uma obrigação do município. Sobre a distribuição gratuita de remédios, que tanto ele quanto aprefeita anunciaram nesta semana, Serra disse não ver problemas na concorrente, mas ressaltou que a idéia tem dono. ?É bom que adotem uma idéia minha, uma idéia do PSDB. Não tenho nada contra que adotem boas idéias, o importante é que seja feito?. Perguntado sobre as afirmações da prefeita de que o programa era uma iniciativa da Prefeitura, Serra respondeu: ?Não é verdade, inclusive isso realmente existe funcionando no Rio de Janeiro. Mas tudo bem. O importante é que a coisa seja feita.? Em seguida, ao falar mais sobre o programa, o tucano lembrou que a entrega gratuita de remédios só valerá para doenças crônicas e medicamentos de uso continuado. E ironizou: ?Você não vai mandar antibióticos pelo Correio. Isso é importante explicar para a Prefeitura, para que eles não façam isso aqui, em São Paulo.?Gastos de campanhaSe preferiu a diplomacia na hora de comentar questões municipais como as do Qualis e saúde em geral, trânsito e desemprego, o governador de São Paulo criticou os gastos da campanha petista. Segundo ele, a disputa entre o PSDB e o PT na cidade ?talvez seja o tostão contra os milhões?. ?A campanha do PSDB é humilde, materialmente muito pobre, e não vai ser diferente até o final.?Depois de São Mateus, Serra e Alckmin percorreram os bairros de Gleba Itajuibe, Jardim Pantanal e Ermelino Matarazzo, todos na zona leste. De acordo com o presidente do PSDB municipal, deputado estadual Edson Aparecido, a região será o principal alvo dos tucanos nessa campanha. ?Aqui estão concentrados os votos petistas e malufistas, mas também é o local com maior migração de votos. E vamos trabalhar em cima disso?.Para Alckmin, a campanha está indo bem, ?mas só vai esquentar a partir do horário eleitoral gratuito?. O horário sócomeça no próximo dia 17. Sobre as pesquisas, Alckmin disse que não está preocupado com a queda do candidato tucano nos últimoslevantamentos. ?São pequenas oscilações, é uma fotografia do momento. O Serra está na frente e tem todas as condições de crescer e ir para o segundo turno.?ErundinaA candidata do PSB à Prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina, voltou a dizer nesse sábado que as taxas do lixo e de iluminação pública são inconstitucionais, e reagiu ao comunicado distribuído ontem pela administração municipal, que qualificou como "política" a representação que ela e seu vice, Michel Temer (PMDB), apresentaram no Ministério Público (MP) contra as taxas. "Nossa chapa tem proposta de fazer um choque de legalidade na Cidade, porque o cumprimento da lei interessa e faz justiça a todo mundo", afirmou Erundina, antes de participar de evento de confraternização com lideranças e militantes do PMDB na região da Represa do Guarapiranga, Zona Sul da Capital. "O que eles possam dizer sobre as razões e os motivos que nos levaram a fazer isso é um problema deles", adicionou. Segundo Erundina, estudos realizados por Temer e sua equipe comprovam que as taxas são inconstitucionais - avaliações contestadas pela prefeitura - e que a cobrança poderá ser suprimida sem comprometer as finanças do município. "A supressão dessas duas taxas não vai comprometer as finanças, que já estão comprometidas, por sinal, pela má gestão financeira que muitos governos fizeram sucessivamente". A candidata reiterou que, diferente de José Serra (PSDB) e Paulo Maluf (PP), procurou não apenas ter postura retórica sobre oproblema das taxas, mas tomou iniciativas efetivas para contestá-las, ingressando no MP. "Mais do que anunciar que vamos acabar com as taxas, estamos tomando iniciativas concretas para acabar com elas porque são inconstitucionais". Antes do encontro com os peemedebistas, por volta do meio-dia, Erundina manteve encontros com assessores, Temer e opresidente do PMDB em São Paulo, Orestes Quércia. "Estamos fechando o programa de governo e discutindo os programas derádio e TV do horário eleitoral", contou.Para ela, somente depois do início do horário eleitoral gratuito, em 17 de agosto, sua candidatura será "conhecida pela população", o que poderá mudar sua posição nas pesquisas de intenção de voto. Hoje, Erundina encontra-se em quarto lugar. "Pesquisa reflete o momento de um processo extremamente dinâmico, que se altera a cada dia, sobretudo com debates. Quando a campanha estiver massificada pelos meios de comunicação, com certeza teremos outra condição".Mal olhadoDurante a caminhada pela Vila Santa Catarina, Paulo Maluf mostrou a eleitores a corrente com santinhos e crucifixo que leva no peito. Contou que ganhou de sua mãe para protegê-lo contra o mal olhado. ?Essa santa aqui (mostrando um escapulário) é Santa Rita de Cássia, que ganhei de uma senhora em Perdizes. Ela me disse que a santa das causas impossíveis, mas agora ela vai ser a santa da causa possível da eleição do Maluf?.Conversando com camelôs e motoboys, Maluf disse que, com ele, o trabalho deles estará garantido. ?É preciso ter uma política global para o emprego e tem que ser feita pelo Estado, governo federal e município. Eu tenho autoridade para cobrar isso, porque fui ex-governador e quase presidente da República. Então eu vou cobrar uma ação conjunta para resolver o desemprego?.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.