Saúde de índios no Vale do Javari é gravíssima, diz Funasa

A Funasa, sozinha, não é capaz de realizar as medidas necessárias para o atendimento da população, diz diretor

Agência Brasil

14 de janeiro de 2008 | 15h38

O diretor do Departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Wanderley Guenka, afirmou que a situação de saúde dos povos que vivem na Terra Indígena do Vale do Javari, no Amazonas, é gravíssima. Segundo ele, a Funasa, sozinha, não é capaz de realizar as medidas necessárias para o atendimento da população. Com os índices mais altos do País de contaminação pelo vírus do tipo B da hepatite, a região vem sofrendo ainda com uma epidemia de malária. Tanto a hepatite quanto a malária atacam diretamente o fígado, e a associação dos dois problemas tem enfraquecido a população e levado a um alto índice de mortes. "É gravíssimo, gravíssimo", avaliou Wanderlei Guenka, em entrevista ao programa Amazônia Brasileira, da Rádio Nacional da Amazônia. "Nós não podemos ficar com medidas paliativas, foi levado isso ao presidente, nós estamos organizando uma reunião com todas as entidades, porque só a Funasa não vai dar conta de dar uma assistência de qualidade no Vale do Javari. Nós temos que reconhecer que, isoladamente, não." "Nós estamos buscando todos os parceiros para uma solução no Vale do Javari", disse o diretor da Funasa. Como parceiros indispensáveis, ele citou a Fundação Nacional do Índio (Funai), a prefeitura de Atalaia do Norte, a Secretaria de Saúde do Amazonas, a Secretaria de Vigilância de Saúde do Ministério da Saúde e o Instituto de Medicina Tropical. "Um segundo passo, é fazer essa parceria agora, inclusive com as Forças Armadas, Marinha e Exército, no sentido de realmente fazer um trabalho de impacto no Javari, nós estamos devendo a esse povo. Nós vamos fazer esse trabalho de impacto, de investimento na parte estruturante do Vale do Javari", afirmou. Há anos a população pede medidas urgentes para conter o avanço da presença dos vírus das hepatites nas aldeias. Entre aqueles que já foram testados os índices de contaminação são extremamente altos: mais de 80% para o tipo A e acima de 20% para o vírus B. Esse vírus proporciona a sobrevivência no organismo de outro tipo ainda mais perigoso, conhecido como delta (D). Também os resultados para o vírus D entre os testados estão muito acima da média nacional e dos números considerados aceitáveis segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Uma das grandes preocupações dos indígenas é a transmissão vertical do vírus tipo B. Eles temem que a transmissão direta de mãe para filho condene essa população ao desaparecimento. Nos últimos anos têm ocorrido mais mortes de jovens e crianças do que de pessoas idosas nas aldeias. Uma das medidas para impedir a transmissão é o exame sorológico (que detecta a presença de anticorpos), em que a população é testada para os vírus, o que até hoje não ocorreu, embora a Funasa já tenha assinado dois termos de ajustamento de conduta (TACs) com o Ministério Público comprometendo-se a concluir o inquérito sorológico em caráter de urgência.

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