Saúde de doleiro afeta delação

Youssef já não dá depoimentos com regularidade

Andreza Matais, Fábio Fabrini, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2014 | 02h01

BRASÍLIA - Um dos principais delatores do esquema de corrupção na Petrobrás, o doleiro Alberto Youssef enfrenta problemas de saúde que têm prejudicado a continuidade dos depoimentos que ajudaram a levar à prisão executivos das maiores empreiteiras do País, entre eles os presidentes da OAS, UTC, Camargo Correa e Iesa Óleo e Gás.

Youssef não tem conseguido prestar depoimentos com a mesma regularidade de quando aceitou fazer a delação premiada em troca de redução de pena. Integrantes do Ministério Público afirmaram ao Estado que por causa dos problemas frequentes de saúde não é possível mais prever quando o doleiro irá concluir seus depoimentos.

Ao relatar o que sabe e aceitar devolver R$ 55 milhões aos cofres públicos, ele negocia com o Ministério Público a redução de sua pena, que chegaria próximo dos 40 anos de prisão. O acordo inclui outras ações penais a que ele responde, como no caso Banestado. Seriam 60 ações penais.

Além da prisão, Youssef enfrenta um problema familiar que se reflete na saúde. A mulher se separou dele após saber que ele mantinha um caso extraconjugal. Joana Darc Fernandes Youssef agora vive em Londrina e tenta na Justiça preservar metade dos bens do ex-marido, alegando tratar-se de um direito. Procurada pelo Estado, Joana não ligou de volta.

Fragilidade. A saúde do doleiro já vinha dando sinais de fragilidade. A pressão dele chegou a cair, segundo investigadores, a 6x3 na véspera das eleições presidenciais. Na ocasião, Youssef foi internado pela terceira vez e boatos se espalharam na internet de que ele havia morrido por envenenamento. Em nota assinada pela Polícia Federal e não pelo hospital, informou-se que ele teve "uma forte queda de pressão arterial causada por uso de medicação no tratamento de doença cardíaca crônica".

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