Saturnino diz que divisão de mandato é prática comum

O senador Roberto Saturnino (PT-RJ) admitiu nesta quarta-feira, no Conselho de Ética do Senado, que infringiu a ética ao aceitar dividir o mandato com seu primeiro suplente, Carlos Lupi (PDT), nas eleições de 1996. "Reconheço o erro e a única justificativa que posso evocar é que se faz isso com freqüência", alegou.Saturnino ficou inúmeras vezes constrangido durante seu depoimento. Ele disse, por exemplo, que só ele e o presidente do PDT, Leonel Brizola, sabiam do acordo, mas foi desmentido pelo relator, João Alberto (PMDB-MA), que exibiu uma reportagem sobre o "racha" do mandato, publicada em plena campanha eleitoral. A matéria já tinha sido mostrada ao conselho nos depoimentos de Brizola e no do ex-governador do Rio de Janeiro e atual secretário de Segurança, Anthony Garotinho.Saturnino disse que redigiu "constrangido" a carta em que prometeu dividir o mandato. Sua informação entra em choque com o que disse Brizola, que informou ter ele insistido em formalizar seu compromisso também por escrito.O parecer do relator deve ser apresentado no final deste mês, provavelmente sugerindo uma recriminação por escrito a Saturnino. A hipótese de perda de mandato, requerida por Brizola, está descartada, já que a prática de entregar parte do mandato ao suplente não é nova e há outros senadores que fizeram o mesmo.

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