André Dusek/AE
André Dusek/AE

Satiagraha não teve interceptações ilegais, diz Protógenes

Delegado que comandou operação diz ainda que encontrou documentos 'nocivos ao país' na investigação

Agência Brasil,

08 de abril de 2009 | 17h10

O delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, afirmou nesta quarta-feira, 8, à CPI dos Grampos da Câmara que a Operação Satiagraha não realizou interceptações ilegais. "Todas as interceptações telefônicas na época da Satiagraha foram legais, inclusive com a vigilância dioturna do Ministério Público Federal". Segundo ele, durante a operação que comandou, foram encontrados documentos nas dependências da multinacional Kroll, obtidos por meio de espionagem, que são "nocivos a autoridades brasileiras e ao País".

 

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Protógenes afirmou, em resposta a uma pergunta do relator, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), que a Kroll possuía documentos contra empresas com interesses contrários aos do banqueiro do Daniel Dantas e ao grupo Opportunity.

 

"A Justiça americana solicitou que a Kroll apresentasse todos os dados de espionagem contra a Brasil Telecom. A empresa apresentou mais de 250 caixas contendo documentos que eram nocivos ao país", disse Protógenes. "Dados de espionagens que tratavam da transposição do Rio São Francisco, privatização da Petrobras e da Vale do Rio Doce", acrescentou o delegado.

 

Segundo o Protógenes, os documentos eram uma tentativa de cooptação de várias autoridades, inclusive, com o pagamento de suborno a integrantes do Congresso Nacional.

 

Protegido por um habeas corpus preventivo concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Protógenes se absteve de responder aos questionamentos sobre a participação de servidores da Agência Brasileira de inteligência (Abin) na Satiagraha, a utilização de senhas do Sistema Guardião e também em relação aos equipamentos utilizados na operação. Ele ressaltou, no entanto, que todos os equipamentos da Polícia Federal são auditáveis.

 

"Todos os dados coletados em qualquer equipamento da Polícia Federal são auditados. Não há tecnicamente sistema que faça qualquer tipo de adulteração em qualquer dado coletado. Os dados da Satiagraha estão disponíveis na Justiça e no Ministério Público", disse Protógenes.

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