Satiagraha custou R$ 800 mil à Abin, diz agente

Cálculo diverge de informação da agência, que informa R$ 381 mil, incluindo outras operações

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2008 | 00h00

O presidente da Associação de Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Asbin), Nery Kluwe, afirmou ontem que o gasto do órgão com a Operação Satiagraha chegou a R$ 800 mil. "Ouvi dizer que as despesas com a Satiagraha foram de R$ 800 mil. Isso é voz corrente na agência", afirmou, em depoimento à CPI dos Grampos, na Câmara. Kluwe não deu detalhes sobre os gastos. "Foi com servidores, diárias. Mas não sou eu quem tem de esclarecer isso. Procurem as autoridades competentes", disse, depois, aos jornalistas. Também em depoimento à CPI, em agosto, o diretor afastado da Abin, Paulo Lacerda, disse que a participação de integrantes da agência ocorreu "informalmente".Por meio de sua assessoria de imprensa, a Abin negou que os gastos com a Satiagraha tenham sido de R$ 800 mil. "Todos os gastos, incluindo compartilhados com outras operações da Abin são de R$ 381 mil", informou a assessoria. O gasto oficialmente reconhecido pela Polícia Federal com toda a Operação Satiagraha é de R$ 466 mil.Ao depor por duas horas em sessão com apenas quatro deputados - nem mesmo o relator da CPI, Nelson Pellegrino (PT-BA), apareceu -, Kluwe afirmou que a participação de arapongas na Satiagraha começou com "apoio natural", ganhando força depois. "A situação foi crescendo e achou-se natural." Segundo ele, a cúpula da agência soube da participação de agentes na operação. "Pelo menos quatro homens (da Abin) analisaram e-mails sigilosos nas investigações e relataram seu conteúdo a Paulo Lacerda", afirmou. Kluwe disse ainda que "nunca tinha visto participação tão ampla" de homens da agência em uma operação da PF, como na que resultou na prisão temporária do banqueiro Daniel Dantas."Houve quebra de comando inaceitável. Os chefes não assumem (a participação da Abin). Alguns chefes não abriram a integralidade do conhecimento que detinham. Isso causou constrangimento para todos nós", disse. Kluwe também apontou "promiscuidade" entre Abin e PF. Citou como exemplo o episódio da quebra de sigilo, sem autorização judicial, de e-mails de servidores da agência. A quebra do sigilo teria sido promovida pela PF com o apoio da cúpula da Abin, irritada com as críticas de arapongas à condução da crise interna. "Como os companheiros expressavam repulsa em relação a determinadas atitudes da diretoria da Abin, iniciou-se a investigação, quebrou-se o sigilo sem autorização judicial, mediante apoio de companheiros da Polícia Federal", afirmou.

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