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Sartori faz apelo a grevistas e avisa que faltas serão descontadas

Visivelmente irritado, governador gaúcho fez breve pronunciamento após servidores estaduais decidirem entrar de greve e disse que momentos de crise exigem 'solidariedade de todos'

Gabriela Lara, correspondente, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 21h33

Porto Alegre - Poucas horas depois de o funcionalismo público estadual aprovar uma greve generalizada de três dias, o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), fez um apelo para os servidores não paralisarem as atividades "para o bem da sociedade gaúcha". Em um breve pronunciamento no fim da tarde no Palácio Piratini, ele também disse que aqueles que aderirem à greve terão os dias não trabalhados descontados.

Em uma assembleia unificada na tarde desta terça-feira, mais de 40 entidades representativas do funcionalismo estadual deram o sinal verde para a greve que começa nesta quarta-feira e deve abranger áreas como educação, saúde e segurança. Os funcionários públicos protestam contra o parcelamento dos salários e os projetos de ajuste fiscal encaminhados pelo governo gaúcho à Assembleia Legislativa para combater a crise financeira do Estado - se aprovados, alguns projetos terão como consequência a redução de benefícios dos servidores. De acordo com a estimativa da Brigada Militar, a mobilização desta terça no centro da capital gaúcha reuniu cerca de 30 mil pessoas. O ato terminou com uma marcha que terminou na Praça Marechal Deodoro, ou Praça da Matriz, em frente à sede do Executivo e do Poder Legislativo.

Sartori falou à imprensa no Palácio Piratini quando os manifestantes já haviam dispersado. Visivelmente irritado, ele lembrou que o Executivo vem "cortando da própria carne" ao promover o ajuste fiscal e que sempre manteve a porta aberta aos servidores para o diálogo. Também destacou que, desde o início de sua gestão, em janeiro, tem feito todo o esforço possível para manter os salários em dia, o que o levou a atrasar a parcela da dívida com a União. "Consideramos a manifestação de hoje democrática, mesmo que possamos entender diferente até porque as razões não existiam tendo em vista que os salários foram pagos", falou. O governo estadual parcelou os vencimentos dos servidores relativo a julho, quitando as parcelas 12 dias depois. Perguntado pelos jornalistas, Sartori não deu garantias de que os salários de agosto serão pagos integralmente no dia 31 - possibilidade que nos bastidores é considerada impossível, dada a falta de dinheiro em caixa.

Ao dizer que considera não haver motivo para uma paralisação da natureza da aprovada nesta terça-feira, o governador fez um apelo. "Solicito a todos os servidores do Rio Grande, a todos os que participam deste momento e desta ocasião, que pelo bem da sociedade gaúcha e pelo povo não paralisem suas atividades. Acho que a sociedade gaúcha merece, sabe o esforço que estamos fazendo. Esta crise não começou agora, vem de longo tempo e não foi agora criada em sete meses e meio", afirmou, completando que momentos de crise exigem "solidariedade de todos". Ele explicou que a prioridade é por manter os serviços públicos em funcionamento, e que aqueles que optarem pela greve terão os dias de paralisação descontados. "Já disse aos secretários que presença é presença e falta é falta e vamos descontar dias parados", indicou.

Sartori também sinalizou que o Executivo não deve recuar nos projetos apresentados ao Legislativo até aqui e que são alvo de críticas entre o funcionalismo. Entre eles estão as propostas para mudar o sistema previdenciário dos futuros servidores e para alterar o tempo mínimo de aposentadoria de policiais militares. "Queremos continuar com nossas mudanças estruturais e a Assembleia certamente vai decidir", falou. Outro ponto polêmico é a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) de 2016, que já passou pela Assembleia Legislativa e não prevê reajuste para os trabalhadores no ano que vem. De acordo com o governador, a LDO é "verdadeira e real dentro da realidade financeira do Estado".

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