Sars é questão de segurança internacional, diz OMS

A pneumonia atípica deixa de ser uma simples doença e deve ser tratada também como uma questão de "segurança internacional". A avaliação é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que ontem abriu sua reunião anual em Genebra com o desafio de conseguir evitar que mais uma doença desconhecida se prolifere por todo o mundo. Em seu discurso, a diretora da OMS, Gro Harlem Brundtland, afirmou, que o mundo "não se pode dar ao luxo de permitir que mais uma doença se prolifere" e que os países devem fazer "todo o possível" para vencê-la. Apesar do tom alarmante das autoridades de Genebra, alguns dados mostram que a estratégia adotada pela OMS poderia estar começando a funcionar. "Não temos outra alternativa senão a de colocar o vírus de volta à sua caixa", afirmou o diretor do departamento de doenças transmissíveis da OMS, David Heymann. Segundo ele, "a batalha contra a pneumonia começa a dar resultados, mas a guerra ainda não foi vencida". Enquanto a doença não é colocada de volta em sua "caixa", empresas multinacionais e agências de investimentos começam a entrar em contato com a OMS para propôr que seja criado um fundo internacional para pesquisar vacinas para o vírus. "É natural que o setor privado esteja tomando essas iniciativas, pois querem fazer seus negócios em um ambiente estável", afirmou Heymann, que acredita que seriam necessários pelo menos US$ 150 milhões por ano para financiar pesquisas para o desenvolvimento de remédios. O temor de muitas empresas, principalmente na Ásia, é de que a região que mais cresce hoje no mundo venha a sofrer duras perdas econômicas em 2003 por causa da doença, o que acabaria afetando a capacidade da economia mundial de se recuperar.

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