Sarney vê ''campanha'' contra filho

Em nota, presidente do Senado defende iniciativa de Fernando Sarney e diz que ele é vítima do ''Estado''

João Domingos, O Estadao de S.Paulo

04 de agosto de 2009 | 00h00

Ao divulgar nota para defender a iniciativa de Fernando Sarney de entrar na Justiça e censurar previamente o Estado, o portal estadao.com.br e todas as empresas do Grupo Estado, proibindo-os de divulgar fatos referentes à Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse que o filho "tem sido vítima de cruel e violenta campanha infamante por parte de O Estado de S. Paulo". Leia a íntegra das notas de José Sarney e de Fernando SarneyJá Fernando Sarney, também por nota, afirmou que, como empresário do ramo de comunicação há 30 anos - ele é presidente do Sistema Mirante de Comunicação, que tem a retransmissora da TV Globo em São Luís e cidades vizinhas, rádio e jornal -, "sempre defendeu a liberdade de imprensa, a livre manifestação de opinião, e jamais promoveria ou apoiaria qualquer iniciativa que pudesse ser interpretada como censura".No mesmo tom do pai, Fernando Sarney justificou que a decisão judicial que censurou previamente o Estado "simplesmente exige o respeito a garantias constitucionais inerentes a todo cidadão - intimidade, privacidade, honra e imagem". Fernando disse ser "lamentável" que a decisão "esteja sendo apresentada como forma de censura à imprensa, que vem divulgando, ilicitamente, informações sob sigilo expressamente imposto pelo Judiciário". PROCESSOEm sua nota, José Sarney afirmou que não foi consultado sobre a iniciativa do filho. Atribuiu-a à exclusiva responsabilidade de Fernando e seus advogados. Sarney disse que não pode ser responsabilizado pela ação. "Por isso é uma distorção de má-fé querer me responsabilizar pelo fato", afirmou. "Todo o Brasil é testemunha de minha tolerância e minha posição a respeito à liberdade de imprensa, nunca tendo processado jornalista algum." Sarney processou o jornalista João Mellão Neto, conforme atesta o Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Ele alegou injúria por parte de Mellão e pretende reparação. Tentou primeiro na 19ª Vara de Reparação de Danos. Perdeu. Não desistiu. Recorreu agora ao Tribunal de Justiça, mesmo órgão no qual seu filho Fernando Sarney conseguiu a decisão liminar que censurou o Estado. Fernando tenta censurar o Estado desde 2008, quando entrou com ação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) com três pedidos: mordaça nos promotores, para que não dessem entrevista sobre a Operação Boi Barrica, pela qual foi investigado e indiciado, censura ao Estado e intimação do repórter Ricardo Brandt para que ele contasse quem tinha sido a fonte que lhe informara a respeito da ação da PF. O CNMP não só negou o pedido de Fernando Sarney, como o considerou inconstitucional. "Não se pode confundir observância do segredo de Justiça com censura prévia. A censura prévia é proibida pela Constituição Federal", argumentou o relator da ação, procurador da República Diaulas Ribeiro. Na Operação Boi Barrica o empresário Fernando Sarney foi indiciado por lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha.

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