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Sarney vai esperar Lula para comunicar posição sobre Senado

Presidente da Casa decide não antecipar anúncio de afastamento em respeito a Lula, seu maior aliado

Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo,

01 de julho de 2009 | 12h26

Aliados e interlocutores do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), consideram que o desfecho sobre sua permanência ou não no cargo só será anunciada após o encontro de Sarney com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, previsto para esta quinta-feira, 2, de manhã.

 

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Amigos de Sarney avaliam que nesta quarta-feira ele está demonstrando muito mais tranquilidade que na terça, o que poderia significar que ele já tem uma posição definida. Sarney, no entanto, em respeito ao seu maior aliado neste momento - o presidente Lula -, não anteciparia nenhum anúncio. A assessoria de Sarney informou que o presidente irá ao Senado hoje às 16 horas. Informou também que não há nenhuma decisão a ser anunciada.

 

Se se afastar, a oposição ocupa a cadeira da presidência na figura do tucano Marconi Perillo (GO), primeiro vice. Se renunciar à presidência, novas eleições vão ser convocadas e há sérias dúvidas se o governo conseguirá eleger um novo nome de sua base.

 

Há previsões de que, neste cenário, a cúpula do PMDB não ajudaria o presidente Lula nesta missão. No Senado, o governo tem apenas uma estreita maioria.

 

Nesta tarde, não haverá sessão no plenário do Senado. O primeiro vice-presidente da Casa, Marconi Perillo (GO) informou a alguns senadores que apenas abrirá a sessão para pedir o encerramento,em seguida, em decorrência da morte do deputado José Aristodemo Pinotti.

 

Desgaste

 

Na terça-feira, Sarney viu seu apoio político ser fortemente abalado depois que o Democratas -que o sustentou para presidente-, o PSDB e o PDT cobraram sua licença do cargo até o final das investigações sobre o escândalo dos atos secretos e sobre o suposto beneficiamento irregular de familiares por parte do presidente da Casa. As três legendas somam 32 dos 81 senadores.

 

A ministra-chefe da Casa, Dilma Rousseff, conversou com Sarney na terça-feira pedindo que ele não tomasse uma decisão antes do retorno do presidente Lula.

 

Nesta manhã, Sarney se reuniu com integrantes do PT, PMDB e PTB em sua residência pessoal para analisar a situação. A bancada do PT, que está dividida em relação ao apoio a ele, se reúne nesta tarde para definir que posição vai tomar no caso. A bancada do PMDB divulgou nota na terça reiterando adesão a Sarney.

 

Após o encontro desta manhã, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), disse que seu pai está sendo tratado como bode expiatório na crise do Senado pois os problemas de administração da Casa são de responsabilidade coletiva dos senadores.

 

"Eu acho que ele vai tomar a decisão correta que ele achar que é a melhor para o Brasil", disse Roseana a jornalistas.

 

(Com Reuters e Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo)

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