Sarney usará recursos tecnológicos no discurso desta quarta

Apresentação em PowerPoint deve exibir documentos sobre a Fundação Sarney e a venda suspeita de fazenda

Denise Madueño, Eugênia Lopes e Christiane Samarco, da Agência Estado,

05 de agosto de 2009 | 08h12

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), lançará mão de recursos tecnológicos no discurso que promete fazer nesta quarta-feira, 5, no plenário. De acordo com interlocutores de Sarney, será um discurso longo, no qual o presidente apresentará sua defesa sobre cada uma das acusações que pesam contra ele.

 

Para o discurso, foi preparada uma apresentação utilizando o programa de computador conhecido por PowerPoint. Com essa ferramenta, Sarney pretende exibir documentos como, por exemplo, o que trata da Fundação Sarney. O presidente do Senado quer mostrar aos senadores que a gestão da entidade não é de sua responsabilidade. Uma das representações no Conselho de Ética tem como base o desvio de, pelo menos, R$ 500 mil do patrocínio de R$ 1,3 milhão da Petrobrás para empresas fantasmas e da família Sarney, segundo revelou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Outro documento deverá ser sobre a venda da fazenda São José de Pericumã, na qual há a suspeita de irregularidades no pagamento de impostos.

 

Quando Sarney iniciar o seu discurso, o Conselho de Ética já deverá ter se reunido para analisar as primeiras ações contra ele. O presidente do Senado tem uma situação confortável no colegiado. Dos 15 integrantes, dez são considerados votos fiéis a ele. O PT, que tem uma bancada dividida no apoio a Sarney, escalou integrantes que ficarão com o presidente da Casa.

 

A posição do PT ontem foi fundamental para a permanência de Sarney no cargo. O partido não aceitou a proposta do DEM, do PSDB, do PDT e do PSB para formalizar um pedido de renúncia de Sarney do cargo, mantendo a posição favorável ao afastamento temporário do peemedebista. Isso fortaleceu Sarney. Caso o PT concordasse em avançar no pedido de renúncia, os demais partidos fariam o mesmo, tornando inviável o comando de Sarney. Os cinco partidos reuniriam a maioria dos 81 senadores. Seriam 46 votos (14 do DEM, 13 do PSDB, 12 do PT, cinco do PDT e dois do PSB). Mesmo com as dissidências dos senadores francamente favoráveis a Sarney, a situação do presidente do Senado ficaria mais frágil.

 

No fim do dia, nem mesmo uma nota conjunta dos partidos pedindo o afastamento de Sarney, e não a renúncia, foi assinada como chegaram a anunciar os críticos de Sarney. O próprio presidente do Senado avisou a seus interlocutores que está disposto a brigar pela cadeira e que, daqui para frente, adotará a prática do bateu-levou, sinalizando que não ficará mais passivo diante das críticas.

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