Sarney sugere a Mercadante e Ideli que se expliquem

PMDB não deve fazer esforços em favor do ministro, com quem teve relacionamento tenso no Senado

Rosa Costa e Andréa Jubé Vianna, de O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2011 | 19h06

BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sugeriu nesta segunda-feira, 27, aos ministros da Ciência Tecnologia, Aloizio Mercadante, e das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que prestem esclarecimentos sobre a denúncia de envolvimento no escândalo dos aloprados. Ele alega que esse tipo de procedimento deve partir de todos os que forem alvos de acusações. No caso, os ex-senadores e atuais ministros são acusados de envolvimento no esquema de forjar um dossiê contra José Serra, principal adversário de Mercadante na disputa de 2006 ao governo de São Paulo.

 

"Acho que a melhor fórmula é cada um se explicar naquilo que for acusado", propõe Sarney. Ele reforça sua sugestão, ao destacar que "não deve haver restrição de nenhuma maneira para que a pessoa possa (se) explicar". "Se agiu corretamente, não há por que deixar de fornecer as explicações que o Congresso pede", justifica.

 

Mercadante é aguardado na terça-feira, 28, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), atendendo a convite para falar da importância da inovação como garantia da competitividade da economia. Ele confirmou a presença antes de a revista Veja publicar o depoimento do bancário Expedito Veloso à Polícia Federal acusando-o de ser o mentor do esquema dos aloprados. Já Ideli, segundo a revista, aparece na documentação da PF como integrante de uma reunião com outros envolvidos no esquema.

 

O PMDB evidencia que dará um tratamento diferenciado aos dois ministros. O partido deixa claro que nada fará em favor de Mercadante, dando sequência ao relacionamento tenso que sempre houve entre ele e a maior bancada de apoio ao governo. O líder do partido, Renan Calheiros (AL), se limitou a lembrar que Mercadante "não é mais senador", quando perguntado se ele vai usufruir do mesmo tratamento dado este ano ao então ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci. O certo é que boa parte da bancada não tem boas lembranças da convivência com ele, sobretudo quando se indispôs contra a candidatura de Sarney para presidência e quando se omitiu nas crises contra Renan.

 

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), acredita que o resultado da presença do ministro no Senado "vai depender da oposição". Quanto à Ideli, Jucá sinaliza que estará de prontidão para defendê-la. "Qualquer tentativa de convocar a Ideli é jogo requentado e nós vamos barrar", anuncia.

 

Por sua vez, o líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), afirma que a oposição reagirá de acordo com a estratégia adotada pelo ministro. "Se ele tentar esvaziar os procedimentos que estão em curso na Câmara - convocação dele e de outros envolvidos e os pedidos de investigação ao Ministério Público -, iremos reiterar os pedidos no Senado", avisa.

 

Já se ele não falar nos aloprados, o líder disse que não vai tomar a iniciativa. Álvaro Dias justifica sua posição, alegando que se a decisão do ministro fosse mesmo a de se explicar, ele compareceria no Senado num dia de casa cheia, e não numa terça-feira pela manhã, quando a maior parte dos senadores está em trânsito para Brasília.

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