ED FERREIRA/AE
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Sarney se irrita com pedidos de esclarecimentos de Suplicy

Em aparte a discurso, petista cobra posicionamento sobre denúncias e diz que crise 'não está resolvida'

Carol Pires, da Agência Estado,

24 de agosto de 2009 | 17h14

Em aparte ao discurso de José Sarney (PMDB-AP) que deveria marcar o retorno à normalidade no Senado, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) cobrou nesta segunda-feira, 24, explicações do presidente da Casa sobre o teor das representações movidas contra ele no Conselho de Ética, arquivadas na semana passada.

 

"A situação no Senado não está tranquila, não está resolvida", afirmou ele, acrescentando que "as pessoas cobram maiores esclarecimentos sobre as representações apresentadas conta Sarney".

 

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O presidente do Senado reagiu com irritação ao aparte de Suplicy. "Vossa Excelência feriu uma regra que eu acho que não é do seu feitio", disse Sarney, antes de encerrar o discurso.

 

Sarney fazia um discurso em homenagem ao ex-presidente Getúlio Vargas e ao escritor Euclides da Cunha. Para os governistas, o arquivamento das representações no Conselho de Ética contra Sarney, na quarta-feira passada, 19, marcou o fim da crise interna na Casa. Segundo líderes dos partidos do governo, a estratégia seria iniciar a votação de projetos e emendas que estão parados.

 

No entanto, a oposição e parte dos senadores do PT não concordam com o desfecho dado pelo governo. "O arquivamento (das ações contra Sarney) não significou que tenhamos resolvido os problemas do Senado. Não tivemos a solução suficientemente resolvida", disse Suplicy.

 

Suplicy acrescentou que tem ouvido cobranças. "Esta é a voz que ouço de toda a parte. As coisas não podem ficar como estão", afirmou.

 

Suplicy lembrou o fato de o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), ter recomendado a Sarney que se afastasse da Presidência do Senado até que fossem esclarecidas todas as denúncias contidas nas representações.

 

"Nossa voz acabou não sendo ouvida, por uma ação da presidência do PT, do Palácio do Planalto, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", comentou, lembrando que os senadores do PT arquivaram as representações contra Sarney.

 

Ele repetiu frase citada por Mercadante em seu discurso de sexta-feira: "O erro dos homens pode ser porta-voz de novas descobertas. Esta casa errou, meu governo errou, meu partido errou, nós erramos, eu errei, porque essa não é a solução que o Brasil precisa."

 

Irritação

 

José Sarney ficou irritado com a intervenção de Eduardo Suplicy, e disse que o senador foi indelicado ao levantar o debate sobre a crise política no momento em que ele fazia uma homenagem ao escritor Euclides da Cunha.

 

"Vossa Excelência feriu uma regra que eu acho que não é do seu feitio. Vossa excelência podia ter feito o seu discurso, como estava planejando fazer, mas este gesto que não é da personalidade de vossa excelência, a não ser que o senhor esteja tomado de uma paixão política que não é da sua personalidade", disse Sarney, que encerrou o discurso logo em seguida.

 

O senador Gim Argello (PTB-SP) declarou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a crise não está mais no Senado. "Ela se deslocou, passou pelo Palácio do Planalto (se referindo às acusações de Lina Vieira, de que ela teria se encontrado com a ministra Dilma Rousseff) e agora se encontra dentro do PT, com Mercadante, em São Paulo", disse o petebista ao estadão.com.br.

 

Como reação ao arquivamento dos processos contra Sarney, os senadores da oposição se reúnem nesta terça-feira, 25, para discutir se permanecem no Conselho de Ética ou renunciam às suas vagas no colegiado. Cinco das quinze cadeiras do conselho são ocupadas pelos oposicionistas. Líder do DEM, o senador José Agripino (RN) chega a Brasília no início da noite e reúne a bancada na terça, em um almoço, para discutir se desistem ou não das três vagas a que tem direito no colegiado.

 

O PSDB vive o mesmo dilema. Na semana passada, o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do partido, enviou ofício à Mesa Diretora pedindo para ser retirado da composição do conselho. A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) também está com um ofício pronto para renunciar à cadeira. Ela só tomará uma decisão, entretanto, após reunião da bancada, na terça, na hora do almoço, no gabinete do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Sérgio Guerra e o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), só chegarão a Brasília no final desta segunda.

 

Já o líder do PT, Aloizio Mercadante(PT-SP) - que, depois de ter anunciado sua renúncia ao cargo em caráter irrevogável, voltou atrás e anunciou a permanência no cargo a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, está em São Paulo e passará o dia sem compromissos oficiais. O senador deve chegar a Brasília na terça-feira.

 

Com Fernando Martines, do estadão.com.br

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