'Sarney relatou a evolução da crise', diz Mendes após encontro

Em encontro com senador, ministro foi questionado se Sarney falara em renúncia e respondeu: 'Imagina, não'

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo,

02 de julho de 2009 | 12h29

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), fez questão de abrir, há pouco, para a imprensa, a audiência que teve com Liu Yunshan, membro do Birô Político e ministro de Publicidade do Comitê Central do Partido Comunista da China. Sorridente durante toda a solenidade, Sarney aparentava estar descansado e tranquilo.Antes de receber o chinês, ele recebeu o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

 

Ao sair do gabinete do presidente do Senado e ser questionado se Sarney havia comentado sobre possível renúncia do cargo, Gilmar respondeu: "Imagina, não. Ele relatou a evolução da crise", disse Mendes, que não quis opinar sobre a crise no Senado. "Política se resolve com política", completou.

 

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"Não vou emitir juízo. Essa é uma questão política do Senado, e crise política se resolve com política", disse o ministro, após visitar Sarney para debater assuntos de interesse do Judiciário em tramitação no Congresso.

 

O presidente do STF afirmou, no entanto, que as indicações para a composição do Conselho Nacional de Justiça, que precisam passar pelo aval do Senado e estão paradas por conta da crise, "está retardando" as atividades. "Continuamos trabalhando. Estamos em plena atividade, mas ajudará muito se o Senado deliberar sobre as indicações."

 

Para sobreviver no cargo, Sarney emparedou ontem o PT e tornou o Palácio do Planalto sócio de sua crise. Diante da sugestão de afastamento do comando da Casa, apresentada pela manhã por senadores petistas, o presidente do Senado ameaçou renunciar ao cargo, fato que desencadearia um processo sucessório fratricida e abalaria a aliança PT-PMDB em 2010.

 

A manobra de Sarney foi a senha para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciasse uma operação de "enquadramento" do PT para salvar o aliado. Horas depois de decidir engrossar o coro pelo afastamento de Sarney - alvo de denúncias reveladas pelo Estado -, o PT voltou atrás. Às 22h15 de ontem, ao deixar a casa de Sarney, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) selou o tom da resistência à renúncia: "Foi importante a decisão do PT (o recuo). O que está em jogo é 2010".

O líder da legenda no Senado, Aloizio Mercadante (SP), capitaneou a visita, na noite de ontem, da bancada dos "arrependidos" à casa de Sarney. "A renúncia é uma possibilidade que ele pode vir a tomar. Mas, no nosso ponto de vista, não é a melhor escolha, porque a crise não pode ser atribuída a ele. Desses 14 anos de atos secretos, ele foi presidente por quatro anos. Não é justo", disse Mercadante, ao fim do encontro.

Hoje, há um encontro programado do presidente Lula  com Sarney, cujo horário ainda não foi confirmado, e que caminha para uma solução do impasse e manutenção do peemedebista no cargo.

 

 

(Com Agência Brasil)

 

Texto atualizado às 13h17

 

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