Sarney recebe auxílio-moradia indevidamente

Ele pediu desculpas e prometeu devolver o dinheiro; no total 40 senadores eram beneficiados com a ajuda

Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e os três senadores acusados de receber irregularmente recursos do auxílio-moradia formalizaram ontem pedido de suspensão do benefício. Eles solicitaram também o cálculo dos valores a serem reembolsados à Casa. Especial traz o custo dos parlamentares em 2009Sarney pediu desculpas ao reconhecer que também estava na lista dos que recebiam auxílio de R$ 3,8 mil, ao contrário do que informara no início. "Nunca pedi auxílio-moradia e, por um equívoco, a partir de 2008, segundo me informaram, realmente estavam depositando o valor na minha conta", disse Sarney.Segundo o jornal Folha de S. Paulo, desde 2002, quando um ato administrativo extinguiu o pagamento do auxílio, ele continuou sendo pago a cerca de 40 senadores. Entre os favorecidos, estão Sarney, Cícero Lucena (PSDB-PB), Gilberto Goellner (DEM-MT) e João Pedro (PT-AM). Eles ocupam imóveis funcionais. Os demais senadores que têm imóvel próprio em Brasília e recebem auxílio-moradia, segundo entendimento da Mesa, não cometem irregularidade e não precisarão devolver o dinheiro.Depois da manifestação dos senadores, a Mesa Diretora do Senado, da qual faz parte Sarney, formalizou o pedido de ressarcimento dos recursos pagos indevidamente. De acordo com o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), os valores serão devolvidos em parcelas, a partir do mês que vem.O favorecimento foi atribuído a "falha administrativa". "Infelizmente, com tudo que está acontecendo no Senado, (a falha) só foi detectada agora. Mas nós vamos seguir a lei e eles devolverão os recursos", disse Heráclito. ACAREAÇÃOA Mesa decidiu por uma acareação entre o ex-diretor-geral Agaciel Maia e o ex-diretor de recursos humanos do Senado João Carlos Zoghbi. Em entrevista à revista Época, Zoghbi disse que Agaciel seria suposto beneficiário de contratos celebrados entre empresas e o Senado. O ex-diretor negou as acusações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.