Sarney pede que TCU investigue diretor do Senado

Agaciel Maia é acusado de desvio de verba do orçamento de R$ 2,7 bilhões da casa

Rosa Costa e Denise Madueño, de O Estado de O Estado de S. Paulo,

02 de março de 2009 | 18h59

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pediu nesta segunda-feira, 2, ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investigue "com a urgência devida" a evolução patrimonial do diretor-geral da Casa, Agaciel Maia. Encarregado de gerenciar um orçamento de R$ 2,7 bilhões este ano, Agaciel registrou em nome de seu irmão, o deputado João Maia (PR-RN), uma casa de 960 metros quadrados, onde mora, avaliada em R$ 5 milhões, segundo reportagem da Folha de S. Paulo. O deputado não declarou o imóvel nem à Receita Federal nem à Justiça Eleitoral. O imóvel com três andares tem cinco suítes, um salão de jogos, campo de futebol, piscina em forma de taça e um píer para barcos, fica no Lago Sul, num dos pontos mais nobres da cidade. O diretor-geral foi procurado pelo Estado, mas não retornou a ligação.     Veja também:  Diretor-geral do Senado apresenta documentos contra denúncia O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu a Sarney que o afastasse do cargo, enquanto durar a investigação. A sugestão foi recusada, sob a alegação de que este não é o seu "estilo" de agir, informou Demóstenes. "Há indícios veementes de sonegação fiscal, de ocultação de bens e até mesmo de lavagem de dinheiro de corrupção", afirmou o senador. "É um assunto enrolado e quando tem rolo no meio, o melhor é chamar a Polícia Federal, o fisco e o TCU para descobrir qual é a verdade", insistiu.Em entrevista concedida nesta segunda-feira, 2, pela manhã, Agaciel apresentou a evolução de seu patrimônio que, segundo ele, teria começado com um apartamento que adquiriu há 29 anos. A compra foi feita em 1996, um ano após assumir o cargo de diretor-geral, na primeira gestão de Sarney na presidência do Senado. Segundo ele, a indisponibilidade dos bens foi decretada pela Justiça na apuração do uso indevido da gráfica do Senado para impressão de material de campanha. Nas interceptações feitas pela Divisão de Operações de Inteligência da Polícia Federal na Operação Mão-de-Obra, em 2006, para investigar supostas fraudes e desvios nos contratos de terceirização do Senado, seu nome é citado pelos responsáveis pelas empresas, como ciente do que estava ocorrendo. Mas a apuração vazou e quando os agentes da Polícia Federal chegaram ao Senado numa ação de busca e apreensão foram recebidos pelo próprio Agaciel.

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