Sarney não pediu para falar comigo, talvez amanhã, diz Lula

Presidente desconversa sobre possível encontro com o senador para discutir sua permanência na Casa

Tânia Monteiro e Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo,

02 de julho de 2009 | 16h17

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, há pouco, que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não pediu para falar com ele. "O Sarney não pediu conversa comigo, minha filha. Ele é presidente do Senado", disse Lula, ao deixar cerimônia de sanção da lei que anistia estrangeiros em situação irregular no Brasil, no Ministério da Justiça, e ser questionado pelos jornalistas sobre possível encontro com Sarney.

 

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Apesar de afirmar que Sarney não pediu uma conversa com ele, diante da insistência dos jornalistas sobre a data do encontro, Lula acabou dizendo que será "talvez amanhã".

 

Para o governo, a permanência de Sarney, envolvido em denúncias de irregularidades no Senado, é essencial para as votações de interesse do governo na Casa e fundamental na aliança eleitoral para eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão de Lula. Por isso, a avaliação de ministros e de petistas interlocutores de Lula é de que o esforço do presidente no encontro será o de garantir apoio do governo a Sarney.

 

Os rumores de renúncia de Sarney durante todo o dia de quarta-feira serviram de recado ao governo e foram entendidos como uma espécie de ameaça. Ciente da importância que tem para o governo e para Lula, o presidente do Senado deixou claro que se não tivesse o apoio de Lula e do PT, renunciaria.

 

Sem Sarney como aliado, o projeto de eleger Dilma ficaria comprometido. O partido é fundamental nos palanques e apoios estaduais. No âmbito do Senado, o risco da saída de Sarney seria a eleição de um nome da oposição ou de um partido da base, mas sem uma postura afinada com o governo. Isso, segundo avaliação de interlocutores de Lula, significaria seguidas derrotas para o governo nas votações na Casa.

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