Sarney não crê em retaliação do governo contra PMDB

Presidente do Senado diz não ter conhecimento de entrevero entre Palocci e Temer, revelado pela colunista do 'Estado' Dora Kramer

Rosa Costa, de O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2011 | 13h46

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta sexta-feira, 27, que nenhuma retaliação do governo contra parlamentares peemedebistas "será bem recebida pelo partido". Ele se referiu à informação publicada na coluna de Dora Kramer, no jornal O Estado de S. Paulo, sobre uma conversa na qual o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, transmitiu o recado da presidente Dilma Rousseff ao vice-presidente Michel Temer (PMDB), de que os ministros do PMDB seriam todos demitidos se insistissem em contrariá-la na votação do Código Florestal.

Sarney disse que não tomou conhecimento da conversa. "Nem conversei com o presidente Temer, não tenho conhecimento desse fato e não acredito em retaliação contra o PMDB em decorrência da posição dos senhores deputados", afirmou. "Seria uma providência que jamais seria bem recebida pelo partido. Não acredito em nenhuma retaliação do governo pela posição que o PMDB possa ter".

Sobre a decisão do Ministério Público Federal do Distrito Federal de instaurar procedimento investigatório civil para apurar suposto enriquecimento ilícito de Palocci, Sarney disse que os procuradores estão exercendo sua competência. Mas lembrou que caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF) dar a sentença final, "uma vez que se trata de ministro e ele tem prerrogativa de foro".

O presidente do Senado disse desconhecer as pressões do Planalto para inviabilizar a criação de uma CPI destinada a investigar as atividades de consultoria de Antonio Palocci. Também afirmou que não tomou conhecimento da iniciativa do senador Clésio Andrade (PR-MG) de retirar a assinatura do requerimento de criação da CPI. "Não sei das pressões que estão sendo feitas ou não", reiterou.

Sarney desconversou quando questionado sobre a conveniência de Palocci comparecer ao Congresso para se explicar. "Essa é uma decisão do ministro Palocci, não posso opinar sobre ela", encerrou.

Sarney viaja esta tarde para São Paulo, onde vai visitar o colega Itamar Franco (PPS-MG), que passa por um tratamento contra leucemia, no Hospital Albert Einstein, e o senador Lobão Filho (PMDB-MA), que se recupera de um acidente de carro no mesmo hospital.

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