Sarney, mais perto da presidência do Senado

O senador José Sarney (PMDB-AP) é virtualmente o novo presidente do Senado. É a convicção do grupo de senadores do PMDB, PPS e PTB que se reuniram pela manhã com o ex-presidente da República. Mesmo alegando dificuldades de ordem particular, uma vez que gostaria de dedicar-se à literatura e a projetos pessoais, Sarney não fechou às portas ao convite feito pelos colegas de Senado, que reforçaram o apelo para que ele assuma o comando da Casa, na vaga aberta com a renúncia, a ser formalizada hoje, pelo senador Jader Barbalho (PMDB-PA). Sarney ficou de consultar familiares, sobretudo sua filha Roseana Sarney, governadora do Maranhão, e pediu o apoio da oposição, especialmente do PT, que, por intermédio da senadora Heloísa Helena (PT-SE), teria apresentado restrições à sua eventual candidatura. "Mais do que nunca o Senado precisa de um nome de peso político e os requisitos estão com o senhor", disse o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, a Sarney. Calheiros estava acompanhado dos senadores Paulo Hartung (PPS-ES) e Carlos Wilson (PTB-PE). Além de apelar para o espírito público, o grupo sustentou que o ex-presidente da República é o nome ideal para a presidência do Senado, no momento em que a imagem da instituição ficou abalada por conta das denúncias envolvendo Jader Barbalho. O encontro entre Sarney e os senadores foi acertado ontem à noite, durante reunião entre Renan, Carlos Wilson, Hartung e o líder do PSDB, senador Sérgio Machado. Tanto Wilson quanto Hartung insistiram que a indicação do nome de Calheiros para o cargo, como propôs a cúpula do PMDB no domingo, havia encontrado resistências em todos os partidos. "O seu nome será colocado como continuação de Jader Barbalho", disse o líder do PPS ao senador Calheiros. O líder do PMDB concluiu que, se insistir na candidatura, que provocaria divisão de seu partido e dificuldades políticas em outras legendas, só o enfraqueceria. "Vamos repetir o que aconteceu com Jader que, mesmo eleito, chegou enfraquecido à presidência do Senado", continuou Hartung. Mesmo reconhecendo que não contará com a unanimidade, Sarney ficou de dar resposta aos senadores, mas todos saíram entusiasmados do encontro. "Neste momento nem Deus é unanimidade", disse Renan Calheiros, após reunir-se com Sarney. Caberá ao senador Paulo Hartung negociar o apoio da oposição a Sarney. A sua principal tarefa é convencer a senadora Heloísa Helena (PT-SE) a aceitar o nome de Sarney.

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