Sarney e Temer assumem comando pela terceira vez

Candidatos confirmaram favoritismo: no Senado, vitória peemedebista foi por 49 votos a 32; na Câmara, 304 votos logo no primeiro turno

Denise Madueño, Eugênia Lopes e Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

03 de fevereiro de 2009 | 00h00

O deputado Michel Temer (PMDB-SP) confirmou ontem seu favoritismo e foi eleito, em primeiro turno, com 304 votos para presidir a Câmara pelos próximos dois anos. No Senado, José Sarney (PMDB-AP) assumiu ontem, pela terceira vez, a cadeira de presidente da Casa, após receber 49 votos. Temer será presidente da Câmara também pela terceira vez - ele comandou a Casa entre 1997 e 2000. Segundo na linha sucessória do presidente da República, Temer terá influência no processo eleitoral de 2010, quando será escolhido o sucessor de Luiz Inácio Lula da Silva.A vitória Temer consolidou o acordo entre PT e PMDB firmado em 2007, quando o petista Arlindo Chinaglia (SP) foi eleito para presidir a Câmara. Temer pregou em seu discurso de posse a união de todos em torno da Câmara e do desenvolvimento do Brasil, sem que fiquem mágoas ou qualquer ferida. "Sempre aprendi a distinguir muito bem, coisa que poucos fazem, entre o momento político-eleitoral e o momento político-administrativo. No momento político-eleitoral que antecede a eleição há uma disputa, muitas vezes, acirrada, em que vez ou outra podem lançar-se algumas farpas, mas que são superadas pela consciência que temos todos de que quem é eleito representa a todos", disse.Ele lembrou que o biênio que se inicia será complicado. "Não temos a menor dúvida de que o período não será fácil. Portanto, todos temos que nos fraternizar, a começar pelos Poderes do Estado. Legislativo, Executivo e Judiciário hão de atuar em estreita harmonia, porque acima de qualquer divergência está o interesse do País." Disse que trabalhará para combater a crise econômica global. "A crise que se avizinha encontrará resistência no país, especialmente no Poder Legislativo." Afirmou ainda que temas como educação, saúde e segurança não serão tratados como muitas vezes o são durante as campanhas nas eleições, como temas eleitorais, e sim como temas de interesse da sociedade brasileira. "Por isso, a todos eles nós vamos nos dedicar." Antes do início da votação, que durou três horas, Temer subiu à tribuna e fez discurso de vencedor. Na tentativa de agradar aos deputados do chamado "baixo clero", ele prometeu ampliar as atividades da TV Câmara para que sejam registrados e divulgados os trabalhos dos parlamentares em seus Estados. Quem mais transpareceu emoção em toda a sessão de ontem foi Chinaglia. Ele chorou por duas vezes: primeiro, quando lembrou os colegas mortos durante sua gestão. Depois, quando transmitiu o cargo para Michel Temer. Chinaglia aproveitou ainda para fazer um mea culpa e pedir desculpas aos deputados por sua forma ríspida de tratar os seus colegas.SENADO No exato dia em que comemorava 50 anos de vida pública, Sarney voltou à presidência do Congresso com um discurso emocionado de 25 minutos, feito de improviso, em que procurou desmontar as críticas de petistas e tucanos - de que ele representava o passado contra a candidatura de Tião Viana (PT-AC) - com exemplos concretos de "inovações" administrativas. "Acho injusta a afirmação de que seria o retrocesso. O espírito público não envelhece", disse Sarney, sob aplausos. "Ser velho e estar aqui disputando é uma homenagem que faço à democracia e aos senadores. E me sinto um jovem", prosseguiu, ao lembrar que foi ele quem, na Presidência da República, criou o Siaf, sistema de acompanhamento de todos os gastos do governo federal. Sarney admitiu da tribuna que tem deveres de amizade, deveres políticos e partidários, mas frisou que "não será com o Senado que resgatarei isto". Antes dos apupos, porém, teve de trabalhar duro para ser eleito por um placar de 49 a 32 votos dados ao petista. A despeito da vantagem de 15 votos obtida sobre Viana e da quantidade de votos ser suficiente até para promover mudanças constitucionais, o resultado ainda ficou aquém das previsões do novo líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), para quem seu candidato venceria com 52 a 55 votos dos 81 senadores.

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