Sarney e Ideli podem decidir futuro de Renan

Nos bastidores, petista e peemedebista são chamados de ?os donos de Renan?, dado o poder de influência sobre as bancadas na Casa

Rosa Costa e Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2008 | 00h00

O futuro político de Renan Calheiros (PMDB-AL) está nas mãos do senador José Sarney (PMDB-AP) e da líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), ambos com poder de manobrar suas bancadas a favor ou contra o presidente do Senado. Aos dois partidos deverá ser atribuído o resultado da sessão de julgamento do mandato de Renan, marcada para quarta-feira, às 11 horas.Sarney, além do PMDB, tem influência sobre senadores do DEM, PP e PTB. Ideli é o eco do Planalto na Casa. Os dois são chamados nos bastidores de "os donos de Renan", numa alusão ao livro O Dono do Mar, de autoria do ex-presidente da República.Sarney foge dos jornalistas e silencia no plenário desde o início da crise envolvendo seu aliado. Em contrapartida, é o rei do bastidor. Partem dele todas as operações em torno de Renan. Na semana passada, enquanto o Conselho de Ética aprovava o relatório pela perda do mandato do presidente do Senado, Sarney almoçava com ele na residência oficial.Com bagagem de ex-presidente da República, é atribuída ao senador do Amapá a orientação para que Renan abra mão do cargo de presidente no início da sessão secreta que definirá a manutenção ou perda de seu mandato. O argumento é que a renúncia aumentará de 10 para 15 os votos pela sua absolvição.Se Renan perder o mandato, Sarney é o homem que o Planalto deseja ter no comando do Congresso. A amigos, ele nega qualquer pretensão de assumir a presidência do Senado. Tem dito que confia ainda "na sobrevida" de Renan, apesar de avaliar que o companheiro de partido está sendo "massacrado" dia após dia.TODOS SÃO JUÍZESNa outra ponta do cenário político, a líder petista Ideli Salvatti tem sido, desde a primeira hora, uma obstinada defensora de Renan. Ela nega ser dona do mandato dele e de, ao contrário do que ocorre na votação de matérias estratégicas, ter influência sobre a decisão da bancada."Neste caso, ninguém é dono de ninguém. Como todos estão na condição de juízes, cada cabeça é uma sentença", avalia.Para o senador Gilvam Borges (PMDB-AP), a dívida do PT com Renan não dá ao partido outra alternativa, senão o de socorrê-lo. "Acho que há da parte do PT a dívida de gratidão para com o PMDB, porque em outras crises (como a do mensalão) o PMDB sempre esteve à frente e se expôs, assumindo uma posição em defesa do PT", justifica. "Agora é o PT quem deve vir em socorro do PMDB."Já o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) não tem dúvida do poder de influência de Ideli, de um lado, e de Sarney, de outro. Fora os dois, mas sempre de maneira articulada, ele diz que o restante do poder de decisão sobre o destino de Renan está concentrado no Planalto. "O governo é quem vai decidir. O PT é muito fiel e o PMDB apenas um satélite. Ou seja, a orientação do Planalto dificilmente deixará de ser seguida", aposta Jarbas.FATOS DE SOBRAApesar da força de Ideli e Sarney, petistas e outros aliados tentam jogar para DEM e PSDB os votos de uma eventual absolvição de Renan. Chegam até mesmo a apostar que o presidente do Senado terá o apoio de 10 senadores do DEM - em uma bancada de 17 nomes - e de 6 tucanos - em uma bancada de 13 senadores.Líder do DEM, o senador José Agripino Maia (RN), rebate a afirmação: "Pelos fatos, pela circunstância, pelo que espera a opinião pública, eu asseguro que Renan não terá nossos votos. Os senadores com os quais conversei, sem impor nada, apenas consultando, me asseguraram que existem fatos de sobra contra o senador Renan", informou o parlamentar.O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), afirma que o partido vai fechar questão. "Se o senador Renan continuar na presidência, as coisas no Senado vão continuar exatamente como estão. Ele é que tem de sair."O também tucano Sérgio Guerra (PE) diz ser mentira a suspeita de que sua sigla vai compactuar para manter Renan no cargo. "Se isso ocorrer, a situação ficará muito complicada. Será um voto de desconfiança a mais numa situação insuportável." Com ou sem a influência de Ideli e Sarney, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) acredita que Renan será cassado na próxima quarta. "Se o Senado tomar uma posição diferente, o calvário sai das costas de Renan e é jogado nas costas de cada um dos senadores. Não faremos isso até porque o responsável por tudo isso é ele mesmo", afirmou. FRASESIdeli Salvatti (PT-SC)Senadora e líder do partido na Casa"Neste caso, ninguém é dono de ninguém. Como todos estão na condição de juízes, cada cabeça é uma sentença"Gilvam BorgesSenador do PMDB-AP"Acho que há da parte do PT a dívida de gratidão para com o PMDB, porque em outras crises (como a do mensalão) o PMDB sempre esteve à frente e se expôs, assumindo uma posição em defesa do PT"Demóstenes TorresSenador do DEM-GO"Se o Senado tomar uma posição diferente, o calvário sai das costas de Renan e é jogado nas costas de cada um dos senadores. Não faremos isso até porque o responsávelpor tudo isso é ele mesmo"

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