Sarney é carta fora do baralho em sucessão no Senado

A discussão sobre a sucessão de Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado já produziu um consenso: a rejeição ao nome do ex-presidente da Casa José Sarney (PMDB-AP). Oposicionistas não aceitam Sarney por causa das ações em defesa de Renan, investigado em três processos no Conselho de Ética, e pela proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E os governistas descartam o ex-presidente porque estão em busca de um nome de consenso, para evitar que a oposição lance um candidato. Depois da licença de 45 dias anunciada por Renan na terça-feira, vários peemedebistas passaram a defender o nome do companheiro de partido Pedro Simon (RS) para a presidência da Casa. "Existe muita resistência ao nome de Sarney. É preciso encontrar um nome no PMDB que seja consenso para evitar uma disputa na sucessão do comando do Senado", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES). "A regra é clara: a presidência cabe ao maior partido, que, no caso, é o PMDB", afirmou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), ao afastar as especulações de que o seu partido estaria de olho na presidência do Senado. A sucessão tem sido discutida porque há uma avaliação predominante de que Renan não terá condições de retomar o cargo de presidente ao fim da licença, pois sua volta retomaria o clima de tensão e guerra que predominou no Senado nos últimos meses. Pela tradição de que o maior partido ocupa a presidência, o cargo continuaria com o PMDB. Simon, na avaliação de parte dos peemedebistas, transmitiria uma imagem de seriedade ao Senado e teria o respeito da situação e da oposição. Falta, no entanto, combinar com o governo, que em princípio não aceita Simon, por causa da postura independente.

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