Sarney diz que mídia é inimiga das instituições representativas

Para senador, atualmente existe um conflito sobre quem é o representante do povo: o parlamento ou a mídia

Carol Pires, da Agência Estado,

15 de setembro de 2009 | 14h51

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta terça-feira que a mídia é inimiga das instituições representativas. A declaração foi durante discurso em plenário, na sessão de homenagem ao Dia Internacional da Democracia. Para Sarney, a existência do parlamento é fundamental para haver democracia nos Estados, e observou que atualmente existe um conflito sobre quem é o representante do povo: o parlamento ou a mídia.

 

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"A tecnologia levou os instrumentos de comunicação a tal nível que, hoje, a grande discussão que se trava é justamente esta: quem representa o povo? Diz a mídia: somos nós; e dizemos nós, representantes do povo: somos nós. É por essa contradição que existe hoje, um contra o outro, que, de certo modo, a mídia passou a ser uma inimiga das instituições representativas. Isso não se discute aqui, não estou dizendo isso aqui, estou repetindo aquilo que, no mundo inteiro, hoje, se discute", disse o presidente do Senado.

 

Ainda em discurso, Sarney disse que a diferença entre os três Poderes é que, enquanto os Poderes Executivo e Judiciário tomam decisões solitárias, "o Legislativo o faz às claras". Recentemente, Sarney foi alvo de ações no Conselho de Ética que o responsabilizavam pela edição de centenas de atos secretos, que foram editados no Senado para contratar parentes de senadores, aumentar rendimento de servidores e criar cargos sem conhecimento público. As ações foram arquivadas.

 

"Isso é uma das fontes pelas quais somos sujeitos a essa crítica diária, porque nós tomamos as decisões todas aqui, à luz do dia. Quer dizer, ela começa e termina com o povo assistindo, a Nação assistindo, e isso serve de uma crítica permanente", disse o presidente. "Não é por acaso que, em frente a esta Casa, se realizam os protestos, as demandas, os apelos e as pressões.

 

A decisão judicial do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) impede que o Estado publique reportagens sobre a Operação Boi Barrica há 46 dias. O processo é movido por Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, e impõe censura prévia ao jornal O Estado de S. Paulo e ao site estadao.com.br.

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