Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Sarney diz que Janot incluiu Roseana na lista por 'vingança'

BRASÍLIA - O ex-senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) acusou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de incluir sua filha, a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB), na lista de investigados sob suspeita de corrupção na Petrobrás por vingança.

DANIEL CARVALHO, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2015 | 02h01

Em coluna publicada ontem no jornal O Estado do Maranhão, controlado por sua família, Sarney diz que Janot resolveu se vingar dele porque o Senado recusou, em 2009, a indicação do subprocurador-geral Nicolao Dino para o Conselho Nacional do Ministério Público. Na época, Sarney presidia o Senado.

"Um cabeça coroada do órgão, cérebro e braço direito do dr. Janot, foi recusado para o CNMP pelo Senado. Agora, o dr. Janot, em solidariedade ao colega, coloca mal a instituição MP (Ministério Público)", escreveu.

Nicolao é irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), que derrotou o grupo de Sarney na eleição de 2014.

Sarney nega ter interferido na decisão e diz que a filha é alvo de perseguição de Janot. "Como vem fazendo desde a última eleição, quando pediu intervenção federal no Maranhão e perseguiu a governadora Roseana Sarney no episódio de Pedrinhas (em que presos foram decapitados na prisão), resolve vingar-se de mim, atribuindo-me a culpa pela recusa do amigo."

O pedido de investigação enviada por Janot ao Supremo Tribunal Federal traz trecho da delação do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa em que ele diz ter destinado R$ 2 milhões do esquema na estatal à campanha de 2010 de Roseana ao governo do Maranhão. "Ela nunca teve nenhuma relação com o sr. Paulo Roberto", disse Sarney.

Apoio. Nota divulgada ontem pela Associação Nacional dos Procuradores da República afirma que Janot e integrantes do Ministério Público atuam na Lava Jato "sem se deixarem intimidar ou influenciar" por ingerência política, e manifesta "irrestrito apoio" ao procurador-geral.

A assessoria de Janot informou que ele não comentaria o caso. / COLABOROU BEATRIZ BULLA

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