Sarney diz que irá distribuir para amigos livro com sua defesa

Senadores criticam atitude do presidente da Casa de se explicar somente à pessoas próximas a ele

Carol Pires, da Agência Estado,

10 de setembro de 2009 | 19h33

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) criticaram, nesta quinta-feira, 10, a decisão do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de distribuir apenas entre os amigos as explicações que apresentará em um livreto para se defender das denúncias de envolvimento em irregularidades. Buarque afirmou que Sarney deve explicações "à nação", e Guerra disse que "o problema" é o presidente do Senado "não se explicar à sociedade."

 

No auge da crise causada pelas denúncias, Sarney rejeitou a sugestão de alguns senadores de se defender em um pronunciamento no Conselho de Ética. As denúncias acabaram arquivadas pelo conselho. Nesta quinta-feira, 10, Sarney anunciou, no plenário, que reunirá em um livreto suas explicações, com a ressalva de que o texto não será entregue aos senadores nem à sociedade, mas somente aos amigos.

 

O anúncio sobre o livreto foi feito após o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sugerir que Sarney convocasse uma sessão do plenário apenas para se explicar àqueles que, como o parlamentar petista, ainda têm dúvidas sobre as denúncias arquivadas pelo Conselho de Ética.

 

O senador Cristovam Buarque afirmou que as explicações de Sarney não deveriam ser feitas em caráter pessoal, e sim no nível institucional. "A sensação que eu tenho é a de que, depois dos atos secretos, ele esteja arrumando justificativas secretas. E, outro problema: ele não deve explicações somente aos amigos, deve-as à nação."

 

O senador Sérgio Guerra observou que o fato de o presidente do Senado se explicar é positivo, mas ponderou que as justificativas deveriam ser feitas aos senadores e à sociedade, e não apenas a um grupo seleto de pessoas. "É absolutamente contraditório ele não se explicar aos senadores e se explicar aos amigos. O problema não é se explicar. Isto (a edição do livreto) é positivo, o problema é não se explicar à sociedade."

 

A Assessoria de Imprensa de Sarney informa que o livreto terá uma tiragem "pequena" e deverá ficar pronto em cerca de dez dias. Segundo um assessor de Sarney, o senador avalia que foi "bombardeado por acusações", mas as declarações que fez em notas à imprensa e em discursos no plenário para se defender "acabaram relegadas a um segundo plano."

 

"Como todas as acusações foram feitas sem documento, e as defesas estão documentadas, provando que as acusações não se sustentam, o presidente pretende publicar isso em uma pequena publicação para se defender de forma organizada", disse a assessoria de Sarney.

 

O presidente do Senado foi acusado de ser um dos responsáveis pela edição de atos secretos na Casa e por fraude na Fundação José Sarney com dinheiro da Petrobrás, mas as ações movidas contra ele no Conselho de Ética foram arquivadas. "O senador sofreu um desgaste muito grande e não quer que fiquem dúvidas entre as pessoas que o conhecem", disse a assessoria.

 

O livreto terá um texto introdutório escrito pelo próprio Sarney e será dividido por assuntos, de acordo com cada denúncia.

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