Sarney diz que gravação feita pela PF foi 'fraudada'

No discurso, o presidente da Casa apresentou sua defesa para as denúncias contra ele no Conselho de Ética

AE, Agencia Estado

06 de agosto de 2009 | 08h55

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou ontem, em discurso de defesa no plenário, que uma gravação realizada pela Polícia Federal (PF) referente à Operação Navalha em que seu nome é citado foi "fraudada". Realizada em 2007 para desmontar um esquema de irregularidades em licitações, essa investigação envolveu o empresário Zuleido Veras, dono da construtora Gautama e suspeito de ligação com a família Sarney. Numa gravação em que Zuleido teria dito que iria à casa de Sarney, a voz não seria do empresário, mas de outra pessoa, disse o peemedebista.  

 

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"Agora, quero mostrar aos senhores os métodos que foram adotados. Não encontrando nada contra mim, então, faltando, acho, notícia, querendo generalizar, os senhores vão ficar pasmados: fraudaram a fita que distribuíram aos jornais e incluíram o meu nome com a voz de uma outra pessoa", afirmou Sarney. No discurso, o presidente da Casa apresentou, durante os 48 minutos, sua defesa para as denúncias contra ele no Conselho de Ética.

Sarney é acusado de responsabilidade pela contratação de aliados e parentes por meio de atos secretos e de desvio de dinheiro destinado pela Petrobras à Fundação José Sarney e distribuído para empresas fantasmas e da família dele. Uma representação e três das denúncias apresentadas contra ele no Conselho de Ética foram arquivadas pelo presidente do órgão, Paulo Duque (PMDB-RJ).

Confusão

No entanto, o discurso de Sarney apresentou pontos controversos. Sobre a nomeação de parentes na Casa, o parlamentar disse que não conhece Rodrigo Cruz, que trabalhou por dois anos no Senado. "Rodrigo Cruz, também não sei quem é. Incluíram como se fosse nomeado por mim." Cruz se casou no dia 10 de junho com a filha de Agaciel Maia, Mayanna, e Sarney foi padrinho de casamento. Em uma foto, o parlamentar aparece ao lado do casal no dia da cerimônia.

O senador também afirmou que seu neto José Adriano Sarney - alvo de investigação da Polícia Federal (PF) por ser um dos operadores do esquema de crédito consignado na Casa - "nunca teve nenhuma relação com o Senado". Porém, o próprio neto admitiu, em reportagem publicada no dia 25 de junho no Estado, que operava no Senado por meio de sua empresa, a Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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