Sarney dirá a presidente se é candidato no Senado

Reunião pode definir sucessão de Garibaldi Alves

Cida Fontes e Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2009 | 00h00

Depois de quase duas semanas de férias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retoma sua agenda política em Brasília e pode se reunir ainda hoje com o senador José Sarney (PMDB-AP) para definir a sucessão no comando do Senado. Aliados do senador esperam que no encontro com Lula ele confirme o seu desejo de retornar à presidência da Casa, a partir do dia 2 de fevereiro, com uma condição: que seu nome seja consenso entre os partidos e tenha a bênção do próprio Lula. O resultado da conversa será decisivo para que, amanhã, em reunião com os ministros da coordenação política do governo, o presidente possa traçar a estratégia a ser adotada pelo Planalto nos 20 dias que antecedem as eleições dos presidentes da Câmara e Senado. Lula quer evitar que disputas entre aliados nas eleições das duas Casas ameacem criar uma nova crise no Congresso.Na reunião da coordenação, o presidente irá ainda avaliar os impactos da crise econômica no País, como o aumento do desemprego e o desempenho negativo da indústria. Outra preocupação dele são as altas taxas de juros: Lula gostaria que elas fossem reduzidas na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para diminuir a pressão sobre o governo.A reunião com Sarney pode rá ocorrer após o presidente voltar de São Paulo, onde participará da abertura da Couromoda. O presidente do PMDB e candidato do partido ao comando da Câmara, deputado Michel Temer (SP), sugeriu a Lula que o encontro com Sarney fosse reservado. Na sua avaliação, a sucessão no Senado precisa ser discutida apenas pelos dois.SONDAGENSNa conversa com Lula, Sarney deve traçar um quadro favorável das sondagens feitas entre base aliada e oposição. A maior dificuldade é o PT, que lançou o nome do senador Tião Viana (AC). Aliados de Sarney não creem em rebelião de senadores petistas: "O PT tem interesse na normalidade política", disse um ministro do PMDB. Nesse caso, há expectativa de Lula convocar Viana para um cargo de destaque - o Ministério da Saúde é cogitado.Outro empecilho a remover é o atual presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que se lançou à reeleição. Sua eventual vitória poderá ser questionada na Justiça. Senadores do DEM também dizem que uma reeleição de Garibaldi daria argumentos para um terceiro mandato para Lula. Se for reconduzido, Garibaldi poderá se eleger novamente em 2011, quando começa nova legislatura. Para a oposição, Lula poderia usar o exemplo de Garibaldi e atribuir a ideia do terceiro mandato ao próprio Congresso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.