Sarney deve ir a plenário hoje para explicar atos secretos

Presidente do Senado, segundo nova reportagem do 'Estado', pretende 'sacrificar' o atual diretor-geral da Casa

Rosana de Cassia, da Agência Estado, e Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo,

16 de junho de 2009 | 12h48

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deve fazer um pronunciamento nesta terça-feira, 16, para responder às denúncias de má gestão. Ele deve falar às 16 horas, na abertura da sessão plenária. Sarney é acusado de autorizar atos secretos na Mesa Diretora do Senado para uma série de contratações, inclusive de parentes, conforme reportagens do jornal O Estado de S.Paulo. Sarney, segundo nova reportagem publicada nesta terça no Estado, pretende "sacrificar" o atual diretor-geral da Casa, Alexandre Gazineo, para garantir sua sobrevivência no cargo.

 

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Parlamentares que o visitaram afirmam que Sarney não dá brecha para que lhe sugiram abandonar o cargo. Ele ainda tem esperança de recompor o Senado com a opinião pública, brecando qualquer movimento pela renúncia. A receita é simples: tirar Gazineo da diretoria-geral, passando o posto a um gestor fora do quadro do Senado, que tenha um perfil "acima de qualquer suspeita". Mas isso não é tudo.

Em desabafo a mais de um interlocutor ontem, o presidente do Senado avaliou que "agora não tem mais jeito" e afirmou que não vai "segurar" mais nada. Ao contrário, disse que sua intenção é "abrir tudo", respeitando seu estilo, que não é de "espalhafatos". Embora a crise tenha origem em desmandos administrativos e denúncias de corrupção, o grupo político de Sarney e do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), avalia que setores do PT e da oposição querem enfraquecê-lo para abrir uma nova disputa pela cadeira de presidente do Congresso.

O raciocínio nesse caso é de que se esboça outra disputa de poder na base aliada, a exemplo do que ocorreu na crise de 2007, quando Renan acabou renunciando à presidência do Senado. Não que o objetivo seja cassar Sarney, embora o PSOL já tenha falado em representar contra ele no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, tal como fizera com Renan. A briga de poder que a cúpula peemedebista do Senado identifica hoje passa pela sucessão presidencial de 2010.

Os dirigentes peemedebistas estão convencidos de que setores expressivos do PT no Congresso e no governo querem o PMDB "mais fraco" em 2010 por várias razões. A principal motivação eleitoral seria o "excesso" de candidatos do PMDB nos Estados, uma vez que a força nacional do partido reside exatamente no poder político de seus caciques regionais.

Os peemedebistas estão certos de que não é à toa que Sarney se tornou alvo preferencial desses setores do PT. Lembram que, dos 19 senadores da bancada do PMDB, apenas três têm mais quatro anos de mandato a partir de 2011: Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS) e Sarney, é claro.

 

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