Sarney cria comissão de sindicância para apurar atos secretos

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), anunciou nesta sexta-feira, 19, a criação de uma comissão de sindicância para apurar denúncias de atos secretos na Casa. A comissão será acompanhada pelo procurador-geral da República e um auditor do Tribunal de Contas da União (TCU). "Começaremos um processo para apurar as reais responsabilidades", disse.

19 de junho de 2009 | 11h45

 

O anúncio foi feito um dia após um grupo de 20 senadores protocolarem documento na Mesa Diretora dando ultimato para que Sarney promova mudanças moralizadoras na Casa. O peemedebista disse ontem concordar com três das oito reivindicações. São elas a redução de pessoal e a suspensão de novas contratações, a realização de reunião mensal ordinária do plenário para decidir a pauta de votações e ratificar atos administrativos e a contratação de auditoria externa para todos os contratos firmados pelo Senado.

 

Ontem, no entanto, Sarney não disse uma palavra sobre a principal reivindicação do documento: a demissão do diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo, e a indicação de um substituto, que seria referendado pelo voto dos senadores em plenário.

 

Nenhuma das oito sugestões apresentadas pelos senadores trata dos atos secretos da Casa, revelados pelo Estado. O documento protocolado também não cobra o resultado dos inquéritos abertos para investigar a participação de ex-diretores em irregularidades.

 

Sarney fez questão, no entanto, de responder às cobranças feitas sobre o assunto, do plenário do Senado, pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM). "Os inquéritos serão concluídos e os culpados punidos severamente", garantiu.

 

Apoio

 

O teor do documento apresentado é apoiado por senadores de cinco partidos. São sete do PT, sete do PSDB, três do PMDB, dois do PDT e um do PSB. Ou seja, metade da bancada petista no Senado assinou o documento, apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter defendido Sarney.

 

"Sabemos da importância do PMDB para a governabilidade. Mas o PT vai cobrar providências e pedir a anulação dos atos ilegais", afirmou o senador João Pedro (PT-AM).

 

Uma das reivindicações do texto protocolado na Mesa é que o novo diretor-geral tenha mandato de dois anos e o seu nome seja referendado pelo voto dos senadores, além da promoção de uma ampla reforma administrativa na Casa.

 

Cassação

 

O PSOL ameaçou ontem apresentar representação pedindo a cassação do mandato do presidente do Senado, reforçando a pressão de um grupo de senadores que anteontem era composto por oito integrantes, mas ontem ganhou a adesão de mais 12. Eles pedem que Sarney demita, em uma semana, Gazineo e todos os demais diretores.

 

 

(Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo)

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