Sarney avisa Lula que vai disputar no voto com Viana

Senador já não crê em consenso e avalia que petista não tem como recuar

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

O senador José Sarney (PMDB-AP) quer a presidência do Senado e, se necessário, disputará o cargo no voto, em plenário, com o petista Tião Viana (AC). Foi isso que ele próprio comunicou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro de pouco mais de uma hora no Palácio do Planalto. Segundo um dirigente do PMDB, o senador gostaria de ser o candidato de consenso, mas já não tem expectativa de ser "ungido" ao cargo. Ao contrário, seu grupo avalia hoje que será difícil para o Planalto remover a candidatura de Viana, embora trabalhe com a hipótese de Lula conseguir convencê-lo a renunciar.Veja todos os presidentes do Senado O primeiro passo de Sarney, depois de se declarar candidato, será procurar o atual presidente do Senado e candidato à reeleição, Garibaldi Alves (PMDB-RN). Seu grupo está empenhado em encontrar uma saída honrosa para ele. O governo, porém, está certo de que a candidatura de Sarney deixará sequelas em sua base de sustentação no Congresso. "Será um complicador muito grande", resumiu um dos principais assessores de Lula.Sarney desejava voltar à presidência do Senado, mas jamais admitiu a hipótese de disputar o cargo com quem quer que fosse. Diante da forte pressão de correligionários, no entanto, não teve como escapar da candidatura em qualquer cenário. A presidência do Congresso pelos próximos dois anos é considerada essencial para garantir espaço de poder aos peemedebistas em tempos de eleição, sobretudo quando 17 dos 20 senadores do partido, inclusive o novo líder Renan Calheiros (PMDB-AL), terão de renovar o mandato em 2010. Com o apoio do PT, Tião Viana decidiu que sua candidatura era irreversível e fez questão de tornar isso público no dia 14 de janeiro, quando propôs um acordo a Garibaldi. O petista comprometeu-se a dizer "não" a Lula, caso ele lhe pedisse para desistir de concorrer, e sugeriu que Garibaldi fizesse o mesmo em relação à própria candidatura.Em conversas com amigos ontem, contudo, Garibaldi lembrou que fora lançado pela bancada, com o voto de 17 senadores, entre os quais o próprio Sarney. Também repetiu que não seria candidato contra a vontade do partido. É sabido na bancada do Senado que o grupo de Renan e Sarney tem o apoio de ampla maioria. Que o diga o atual líder Valdir Raupp (RO), que ameaçou disputar a liderança contra Renan. Enquanto Raupp amealhava votos, Renan lhe apresentou uma lista de apoios com nada menos que 14 assinaturas de peemedebistas, liquidando a disputa.PETISTASPreocupado com a mobilização do PMDB, os principais líderes do PT na Câmara e no Senado marcaram para amanhã reunião para avaliar o quadro. O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), já confirmou presença. A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti( SC), não escondeu contrariedade com Sarney. "No mínimo, o senador está tendo um comportamento inadequado, pois disse várias vezes que não seria candidato", afirmou Ideli, que amanhã fará uma rodada de conversas com os líderes governistas. Ela disse que Viana cumpriu o ritual ao procurar individualmente todos os senadores de modo "correto e respeitoso". Em reunião ontem com o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, Viana deu o recado: não sairá da disputa mesmo com Sarney na disputa. COLABORARAM ROSA COSTA, TÂNIA MONTEIRO, VERA ROSA e CIDA FONTES

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