Sarney atribui a esquecimento casa não declarada ao TRE

Assessoria do presidente do Senado precisou buscar ontem duas versões para explicar caso de imóvel em Brasília avaliado em R$ 4 milhões

Denise Madueño e Leandro Colon, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2009 | 00h00

A assessoria de imprensa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), precisou buscar ontem duas versões para explicar a omissão na declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral da casa em que o senador mora em Brasília, avaliada em cerca de R$ 4 milhões, como revelou ontem o Estado. Uma terceira versão - de erro técnico - já havia sido dada na quinta-feira à reportagem, antes de o episódio ser revelado. No final, o contador foi responsabilizado.   Galeria: confira fotos da residência particularA assessoria alegou "esquecimento" por parte do funcionário, cujo nome não foi revelado, para justificar a ausência da casa no documento levado à Justiça Eleitoral, único mecanismo com que o eleitor pode acompanhar o patrimônio do político.A primeira nota, divulgada no início da tarde, afirmava que, na declaração apresentada à Justiça Eleitoral, em 2006, foi usada a "mesma lista de bens" fornecida nas eleições de 1998, quando a casa, situada em zona nobre de Brasília, não foi incluída. Segundo o texto, isso deixou o imóvel de fora da declaração da última eleição - um "equívoco" do contador.Minutos depois, a assessoria voltou atrás. Foi confrontada com uma contradição. Sarney não apresentou a mesma lista em 1998 e 2006. Seis bens incluídos em 2006 não estão em 1998. São um sobrado, quatro terrenos e cotas de um shopping. E seis bens relacionados em 1998 ficaram de fora em 2006: duas casas, um terreno, uma propriedade rural, um automóvel e benfeitorias em um sítio. Surgiu, então, outra versão. Nova nota distribuída à imprensa tratou como mais um "equívoco" a explicação anterior. "O erro cometido na declaração de bens do senador José Sarney à Justiça Eleitoral em 2006 não foi, como afirmado, a repetição da lista de bens de 1998, mas a omissão da casa, por esquecimento, depois de feita a atualização patrimonial."DATASSarney não esclareceu os motivos que o levaram a lavrar a escritura da casa só em janeiro de 2008, embora a tenha comprado em 1997 por meio de um leilão público do Grupo Safra.Sarney deu uma explicação sobre a omissão da casa na declaração do Imposto de Renda de 1998, um ano depois da compra. Alegou que terminou de pagar o imóvel, por meio de dez parcelas, em 1998, o que, segundo a assessoria, justificaria a decisão de incluir a residência apenas em 1999 na declaração à Receita Federal. O problema é que a Receita diz que o ano de compra, 1997, deve ser considerado para fins de Imposto de Renda.Uma certidão do Tribunal de Contas da União (TCU), expedida por solicitação de Sarney, atesta que a casa está na lista das declarações de renda entregues ao tribunal referentes aos anos de 1999 a 2007. A assessoria do senador não divulgou esses documentos, nem explicou se houve alguma retificação para incluir a casa no IR. ,

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