Sarney ameaça deixar o PMDB após derrota

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ameçou deixar o partido após ser derrotado nesta quarta-feira pela executiva nacional do PMDB na sua intenção de tentar a reeleição. Depois de articular contra a emenda na direção nacional, o líder do PMDB e candidato à sucessão de Sarney, o alagoano Renan Calheiros protagonizou uma discussão com o presidente do Senado. "Isso é uma tentativa de golpe", disse Sarney. "Não aceito isto, a menos que queiram me colocar fora do partido." O placar da Executiva - 12 votos contrários à pretensão de Sarney de ser reeleito, com apenas dois a favor - foi definido no embalo da insatisfação dos peemedebistas contra o Planalto que, segundo a nova direção, privilegia Sarney e ignora os pleitos do restante da bancada, especialmente a de senadores. Mas o que mais irritou Sarney e provocou seu confronto público com Renan foi a articulação do líder com seus próprios liderados. Sarney disse aos colegas que seria "uma desatenção" para com ele tratar de reeleição hoje, quando a proposta ainda está tramitando na Câmara. E quando o senador Renan insistiu que, pelo acordo firmado no ano passado, a presidência do Senado deveria ficar com ele em 2005, já que abrira mão da disputa em 2003, foi contestado: "Eu não participei de acordo nenhum." O presidente da Câmara, o petista João Paulo Cunha (SP), tentou aprovar a emenda da reeleição na Comissão Especial, mas os peemedebistas impediram.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.