Sarney alerta para perigo do poder militar venezuelano

Segundo senador, clima no Congresso para aprovar adesão da Venezuela ao Mercosul é desfavorável

CIDA FONTES, Agencia Estado

29 de outubro de 2007 | 17h44

O senador José Sarney (PMDB-AP) alertou nesta segunda-feira, 29, em discurso na tribuna para o perigo de a Venezuela se transformar numa potência militar que poderá levar a América Latina a uma corrida armamentista. Na avaliação de Sarney, atuando contra a democracia a Venezuela não conseguirá ser incluída no Mercosul. Segundo o senador, o clima no Congresso para votar a adesão da Venezuela ao Mercosul é desfavorável à aprovação uma vez que o país "terá que mostrar que está pronto para a democracia".     Veja também:   Chávez acusa o Congresso brasileiro de submissão aos EUA Cronologia do impasse entre o Senado brasileiro e Hugo Chávez  "Não tendo esta cláusula democrática, a Venezuela estaria violando o tratado do Mercosul. Se essa situação de potência militar se concretiza, será uma corrida armamentista na América Latina. Será o desequilíbrio estratégico do continente. Vamos voltar de novo a pegar os nossos recursos e investir em armas? No momento, não há como a gente considerar que a Venezuela possa ser uma democracia exemplar", disse.Sarney criticou o presidente Hugo Chávez, afirmando que na hora em que acaba a alternância do poder, acaba a democracia. Ele afirmou ser contrário a qualquer movimento de deputados em favor do terceiro mandato de Lula. "Temos de dizer que isso é inaceitável", destacou.     O senador cobrou da diplomacia brasileira manifestações sobre a Venezuela e sobre a risco da corrida armamentista. "Que democracia estão constituindo? Chávez está fazendo da Venezuela uma potência militar. Isso é um perigo. As armas têm que ser usadas no sentido da defesa. Não podermos admitir de outra forma que não a do diálogo. É um perigo para o Brasil e América Latina ter uma potência armada no continente."  Comissão do Senado No último dia 24, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou  o protocolo de adesão da Venezuela no Mercosul. O PSDB e o DEM obstruíram a votação e se retiraram da Comissão. O placar registrou 16 votos, o mínimo necessário para a votação. Foram cinco horas de discussões acaloradas que envolveram questionamentos sobre a situação política da Venezuela.  'Papagaio' dos EUA  No fim de maio, o Senado brasileiro aprovou uma moção para que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, reconsiderasse sua decisão de tirar a RCTV do ar. Em resposta, o presidente Chávez, em viagem a Manaus,  chamou o Congresso de "papagaio dos EUA". Na opinião dele, os parlamentares brasileiros "repetem como um papagaio" o que diz o Congresso americano em relação à situação venezuelana.  "Que triste para o povo brasileiro! Minhas condolências para esse povo que não merece isso. Um Congresso que repete como papagaio o que dizem em Washington", afirmara Chávez quatro meses atrás.Em junho, o presidente venezuelano declarou que  o Congresso  Brasileiro "repetia como um papagaio" o que dizem os congressistas americanos.  A partir daí, criou-se um mal-estar no Congresso e uma maior resistência para votar a adesão da Venezuela, inclusive, provocando seu adiamento e transferência para esta quarta-feira. A adesão da Venezuela ao bloco integrado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai também passará pelo Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, antes de ir ao Senado. O processo, disse o deputado Dr. Rosinha (PT-PR), demorará "no mínimo" até dezembro. O ingresso da Venezuela no bloco também depende do Congresso paraguaio.

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