Sarney afirma que adiamento da CPI foi decisão política

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que o adiamento da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a remessa ilegal de US$ 30 bilhões para o exterior foi uma decisão política dos líderes partidários. "Quando há consenso dos líderes, temos que cumprir. Todos sabem que esta é uma casa política. E quando há consenso dos líderes, a Presidência tem que cumprir as decisões das lideranças", afirmou. Sarney negou que a sugestão de adiamento tenha sido feita pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (PSDB-AM), como afirmou o líder do PT, Tião Viana (AC). Segundo o presidente do Senado, foi uma decisão unânime, de todos os líderes partidários, que ficaram encarregados de buscar apoio em suas bancadas para que a CPI não seja instalada neste momento. Segundo Sarney, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, estava autorizado pelo governo a se comprometer em aprofundar as investigações sobre o caso, que estão sendo conduzidas pela Polícia Federal. Sarney observou que o foi discutido hoje, porque o requerimento pedindo a instalação da CPI tinha sido apresentado à Mesa pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), com assinaturas suficientes para a instalação da comissão. E que nesse caso a Mesa era obrigada a instalar a CPI. No entanto, os líderes, por unanimidade, decidiram postergá-la.Grandes temasSarney anunciou que reservará todas as quintas-feiras para a discussão de grandes temas nacionais nas comissões específicas. Entre os assuntos que serão debatidos internamente pelos senadores, Sarney citou juros, desenvolvimento, crescimento econômico e segurança pública. Na sua avaliação, a discussão desses temas dará ao Senado subsídios para votar as reformas. "O Senado não pode ficar à margem do debate e precisa ter subsídios para, quando as reformas chegarem, os senadores tenham uma visão mais ampla do contexto", disse. Essa agenda de debates será organizada pelos líderes do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), e do PSDB, Arthur Virgílio (AM). Sarney anunciou também que até agosto espera reunir condições para votar a reforma do Judiciário.

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