Sarkozy vai cobrar de Lula meta de emissões

Em visita, francês dirá que Brasil deve controlar gás de efeito estufa

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Em sua primeira visita oficial ao Brasil, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, vai cobrar do governo brasileiro a criação de metas de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa. Dez dias depois da 14ª Conferência do Clima (COP) das Nações Unidas, durante a qual aprovou seu próprio programa ambiental - chamado Pacote Energia-Clima -, a União Européia defenderá no Rio a adoção de objetivos numéricos também por países emergentes, visando a um acordo em Copenhague, em 2009. A revelação foi feita pelo conselheiro diplomático do Palácio do Eliseu, Jean-David Lévite, às vésperas da viagem de Sarkozy ao Brasil para participar das cúpulas Brasil-União Européia e Brasil-França.A menos de um ano da 15ª COP, na Dinamarca, o bloco europeu quer a mobilização de países em desenvolvimento, já que as nações industrializadas terão de se comprometer a reduzir emissões de dióxido de carbono. A pressão sobre os emergentes ocorrerá porque a Europa crê que os Estados Unidos, no governo Barack Obama, vai se incorporar às negociações internacionais. "Queremos que o Brasil aceite obrigações numéricas, já que é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa", disse Lévite. Depois de aprovar seu pacote 3 x 20 - 20% de redução das emissões, 20% de economia de energia e 20% de energias renováveis até 2020 -, a União Européia se sente no direito de cobrar dos demais países. Nem o Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC), anunciado pelo Ministério do Meio Ambiente em 1º de dezembro, e bem-sucedido na 14ª COP, na Polônia, vai reduzir a pressão. No PNMC, o Brasil se comprometeu - desde que receba recursos internacionais - a reduzir o desmatamento da Amazônia em até 73% até 2017. Mas o País ainda não tem metas de redução de emissões de gás carbônico. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que o governo trabalha para estimá-las. O desmatamento é, no País, o principal fator a contribuir para o aquecimento global.A agenda oficial de Sarkozy no País começa na segunda-feira, às 12 horas. Na 2ª Cúpula Brasil-UE, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá Sarkozy e ministros como Bernard Kouchner, das Relações Exteriores, e Hervé Morin, da Defesa, além do presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso. Às 16 horas, será realizada entrevista coletiva com a presença dos chefes de Estado. Às 18h30, Sarkozy e a primeira-dama, Carla Bruni, terão encontro com a comunidade francesa no Museu de Arte Moderna, onde será lançado o Ano da França no Brasil. Na terça-feira haverá a principal reunião bilateral entre os presidentes.

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