Sarkozy e Lula discutem cooperação

Francês inicia hoje a agenda no País e encontra presidente brasileiro; Carla Bruni faz visita a programas sociais

Daniele Carvalho, RIO, O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2008 | 00h00

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, inicia hoje sua agenda oficial na visita ao Brasil participando de discussões sobre desafios para enfrentar a crise financeira global, na II Cúpula Brasil-União Européia, que se estende até amanhã no Hotel Copacabana Palace. Acompanhado da primeira-dama, Carla Bruni, e de uma comitiva de empresários, o chefe de Estado, que acumula a presidência rotativa da União Européia, se reunirá hoje com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para discutir assuntos de cooperação na área de defesa, combate à crise e aquecimento global. A agenda oficial do presidente francês começa com participação no 2º Encontro Empresarial Brasil-UE. O evento, que será aberto pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, terá a participação de empresários europeus e brasileiros, entre eles o ex-ministro e presidente da Sadia, Luiz Fernando Furlan. Pouco depois, Sarkozy terá almoço fechado com Lula e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso. A expectativa é de que Lula e Sarkozy avancem em discussões como o desenvolvimento de biocombustíveis, cooperação na áera de defesa e reestruturação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Para tornar o encontro mais produtivo, o presidente francês convocou seus ministros de Assuntos Estrangeiros, Bernard Kouchner, e da Defesa, Hervé Morin. À noite, Sarkozy assistirá ao show de lançamento do Ano da França no Brasil, na casa de shows Vivo Rio, no centro do Rio. Enquanto Sarkozy cumpre sua pauta de encontros com empresários e autoridades brasileiras, Carla Bruni terá uma extensa agenda composta por visitas a projetos sociais. A agência francesa de notícias France Presse destaca que a primeira-dama deverá mostrar uma outra imagem em sua visita ao Brasil, "mais social e caridosa". O artigo lembra que em 1º de dezembro a primeira-dama assumiu o cargo de Embaixadora Mundial pela Proteção de Mães e Crianças contra a Aids. Na manhã de hoje, está prevista a visita de Carla Bruni ao Instituto Fernandes Figueira, centro científico da Fiocruz voltado à medicina da criança, estudos e pesquisas sobre maternidade. De acordo com João Aprígio, diretor do banco de leite do instituto, o mais importante do País, a iniciativa da visita surgiu do próprio governo francês. "Temos parceria com 22 países, mas não temos ainda com a França", destacou ele. Por ano, o centro recebe 140 mil litros de leite, que são destinados a 130 mil recém-nascidos.Na terça-feira, ela tem em sua programação uma visita à favela Pavão-Pavãozinho.LONGA AGENDATemas que devem ser tratados por Lula e SarkozyMeio Ambiente Discussões sobre a redução das emissões de dióxido de carbono (CO²)DefesaO governo brasileiro vai firmar com a França a compra de 51 helicópteros e de 4 submarinos, além de um acordo de consultoria para a construção de submarinos de propulsão nuclear até 2020CriseJá visando a Cúpula do G20, em Londres, em abril de 2009, os dirigentes da UE pretendem negociar com o Brasil uma posição conjunta sobre a reforma do sistema financeiro internacionalEconomia de mercadoEm nome da Romênia e da Bulgária, a UE pedirá o reconhecimento do status dos dois países, integrantes do bloco de 27 países, como "economias de mercado"Doha e MercosulA UE reconhece que Doha é crucial para o Brasil. Tentará ampliar a oferta brasileira de abertura dos mercados industrial e de serviços, de Defesa, de propriedade intelectual e de acesso aos mercados públicos às empresas estrangeirasMigraçãoA UE quer "explicar pedagogicamente" ao Brasil a Diretiva Retorno, que permite a detenção de imigrantes em situação ilegal por tempo mais longo, assim como facilita a expulsãoConselho de Segurança da ONUA UE não tem uma posição única sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU, defendida pelo Brasil. França e Alemanha são favoráveis, mas Itália e Espanha, contráriasNuclear civilO tema não é prioritário, mas será discutido. A França quer, por meio da Areva, fornecer os reatores das novas usinas nucleares planejadas pelo governo brasileiroTGVOutro tema secundário, mas na pauta. A França se propõe a reaproximar as companhias do país, como Alstom - envolvida em denúncias de irregularidades -, do governo brasileiro. O objetivo é a construção do trem-bala São Paulo-Campinas-RioCubaA UE sabe que será cobrada pelo Brasil sobre o embargo a Cuba. Brasília gostaria do apoio europeu para o fim das sanções. O bloco prepara um discurso comum, mas não revela detalhesAno da FrançaPrioridade do governo francês em 2009. Além de atividades culturais, Paris pretende selar com Brasília acordos para incremento das escolas técnicas brasileiras

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