Sargento que trabalhava no gabinete de Yeda Crusius é preso por espionagem

Em coletiva, promotor confirmou que foram verificados dados de um senador e de um ex-ministro da República

Rodrigo Alvares, estadão.com.br

03 de setembro de 2010 | 17h40

O sargento Cesar Rodrigues de Carvalho, lotado no gabinete da governadora Yeda Crusius (PSDB) foi preso na manhã de hoje em Porto Alegre, após uma investigação do Ministério Público Estadual. O sargento é acusado de utilizar o Sistema de Consultas Integradas do Estado para levantar informações de investigações policiais, de partidos políticos, de candidatos a deputado, além de um ex-ministro e de um atual senador da República. O Ministério Público diz que continuará a investigação, pois há indícios de que oficiais de dentro da Casa Militar estariam envolvidos no esquema. O sargento foi denunciado por um contraventor ligado aos caça-níqueis e bingos, de quem cobrava propina há dois anos.    

 

 

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O promotor criminal de Canoas, Amilcar Macedo, deu detalhes sobre os acessos na tarde desta sexta-feira: "Eu ainda não consegui entender o por quê de ele estar acessando estes dados, que tipo de perigo à segurança da governadora isso poderia causar".

Amilcar confirmou que foram verificados dados de um senador, de um ex-ministro da República, de um oficial do 5° Comando Aéreo Regional (Comar) e do chefe de inteligência do Comando de Policiamento Metropolitano. "Ele usava senhas que poderiam verificar o que os oficiais estavam investigando. Ele estava investigando a equipe que estava à frente da investigação e chegou a boicotar o nosso trabalho", disse Amilcar.

O sargento também estava acessando dados relativos a um partido político, diretórios e veículos de partidos políticos, dos quais o procurador evitou mencionar para não atrapalhar as investigações. "Essa é uma conclusão minha, mas pela função da Casa Militar, que está a serviço à senhora governadora do Estado, eu ainda não consegui entender o por quê de ele estar acessando estes dados, que tipo de perigo à segurança da governadora isso poderia causar. Eu não acredito que ele estivesse fazendo isso por livre vontade", falou o procurador.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Yeda Crusius não retornou as ligações até o momento.

 

Leia abaixo trechos da coletiva de Amilcar Macedo:

 

"As equipes do MP e da PF se reuniram e chegamos à conclusão de que ele estava espionando os policiais que estavam na ponta da investigação, sabendo que pessoas nós estávamos buscando para serem ouvidas na promotoria. Temos a informação de que a senha dele foi cassada no dia 24 de agosto. Ele estava investigando a equipe que estava à frente da investigação e chegou a boicotar o nosso trabalho."

 

"Como eu disse antes, a ideia não era prendê-lo, a ideia era aprofundar e era o que estávamos fazendo, mas como ele começou a nos investigar, nós sentimos que a investigação seria obstaculizada e resolvemos pedir o decreto de prisão dele. Através da análise dos dados que ele estava acessando, nós pudemos verificar que ele investigava muitas pessoas. A cada 5, 6, 7 dias, ele fazia cerca de mais de 1.200 pesquisas sobre pessoas, em todos os horários que os senhores possam imaginar. De manhã, de tarde, de noite, de madrugada, muito provavelmente na casa dele. As senhas que ele detinha provavelmente permitiam que ele fizesse acesso de outros equipamentos e então nós resolvemos tomar essa medida."

 

"Ele estava acessando dados relativos a um senador da República, acessando dados relacionados a um ministro da República e delegados da polícia com senhas que poderiam verificar o que os eles estavam investigando."

 

"Ele avisava os contraventores através de e-mails que divulgavam aonde teria alguma operação da Brigada Militar, passava informações relativas a mandados de prisão, como eram extraídos. Me causou surpresa também que ele tivesse acesso a processos judiciais e estava acessando informações relativas a outras investigações em curso na promotoria, bastante complicadas, e ele estava na iminência de jogar por terra todo o trabalho que estamos fazendo há mais de seis meses."

 

"Ele estava também acessando dados relativos a partidos políticos, diretórios, veículos de partidos políticos. Essa é uma conclusão minha, mas pela função da Casa Militar, que está a serviço à senhora governadora do Estado, eu ainda não consegui entender o por quê de ele estar acessando estes dados, que tipo de perigo à segurança da governadora isso poderia causar. Eu não acredito que ele estivesse fazendo isso por livre vontade."

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