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'Sara não luta com coisa séria, ela gosta de aparecer', diz irmão de militante presa

Ao comentar a “virada” ideológica da atual militante bolsonarista, seu irmão diz se tratar de uma escolha pragmática - “Como não deu certo na esquerda, ela foi para a direita"

Fernanda Boldrin, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2020 | 17h35
Atualizado 18 de junho de 2020 | 10h46

Irmão de Sara Winter, o motorista particular Diego Giromini não tem dúvidas sobre o que move a militante bolsonarista em suas atitudes radicais: “É fama, dinheiro e poder. Ela não luta com coisa séria, ela gosta de aparecer”, diz Diego, que cresceu junto com Sara em São Carlos, no interior paulista. A militante foi presa na manhã desta segunda-feira, 15, no âmbito de um inquérito que investiga a organização de atos antidemocráticos. 

Atualmente, Diego se identifica como “infelizmente irmão da Sara Winter” e diz que praticamente ninguém na família a tolera. “Ninguém se dá bem com ela, não tem como.” Apesar disso, ele afirma ser o único que bate de frente com a militante e que outros membros da família “morrem de medo” de falar dela. 

O nome verdadeiro de Sara Winter é Sara Fernanda Giromini. Sara Winter foi o nome adotado pela militante para bombar sua atuação no movimento feminista Femen, conhecido pelo uso de topless em manifestações para chocar a sociedade. Atuando pelo movimento em 2012, Sara chegou a ser detida em São Paulo ao protestar contra a prisão do grupo punk Pussy Riot, seminua, em frente ao consulado russo. Já no ano seguinte, após acusações de ter desaparecido com dinheiro recebido pelo grupo, ela foi expulsa do movimento, e atualmente se identifica como “ex-feminista”. 

Ao comentar a “virada” ideológica de Sara, seu irmão diz se tratar de uma escolha pragmática. “Como não deu certo na esquerda, ela foi para a direita. A Sara é assim. Se o Lula entrar amanhã, ela vai abraçar o Lula, não vai ser mais o Bolsonaro”, afirma. 

Segundo ele, a militante sempre foi “agressiva”, e é assim que consegue o que quer. Filha de um pintor de paredes e da dona de um brechó, ela exigiu que os pais pagassem cursinho particular para que prestasse vestibular, conta Diego. Ele diz que, à época, a família não tinha os recursos para isso. Tendo entrado no curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina, Sara trancou a matrícula após três semestres de estudo. 

Desde que saiu de casa, aos 16 anos, o único momento em que ela e o irmão voltaram a se falar, segundo Diego, foi no período em que Sara estava grávida. “Mas depois vi que ela voltou a falar comigo só porque não tinha carro, e eu tinha que ficar levando ela para os lugares”, afirma. Atualmente, Sara é mãe de um menino de quatro anos. 

“São meus pais que cuidam do filho desde que ele nasceu”, conta Diego, que emenda que, quando os seguidores de Sara perguntam pelo filho da militante, ela liga para casa e exige que a mãe leve o menino até Brasília, onde mora, para que possa fazer vídeos com ele e postar nas redes sociais. 

Apesar de ter comemorado a notícia de que sua irmã havia sido presa, Diego considera que a decisão mais acertada talvez fosse a de interná-la numa clínica psiquiátrica. “Mesmo que eu tenha raiva dela, de tudo que fez comigo, a gente acaba ficando com pena, porque vê que ela não é uma pessoa normal”, diz ele. “Ela já foi diagnosticada (com algum transtorno psiquiátrico), mas não consigo dizer com o quê, porque ninguém fala para mim. Na casa dos meus pais, é proibido falar de Sara.”

Nascida em 18 de junho de 1992, Sara Winter fará 28 anos nesta quinta-feira. Ao ser questionado sobre o momento de sua prisão, Diego, surpreso, comenta que havia esquecido do aniversário. “Tomara que ela passe o aniversário lá”, afirmou.

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