Saque reforça testemunho de propina no DF

Investigação da Polícia Civil, incluída no inquérito aberto no Superior Tribunal de Justiça (STJ), revela que a propina de R$ 256 mil que teria sido entregue a Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal e ex-ministro do Esporte, foi de fato sacada de uma das contas indicadas pelo autor das acusações, Geraldo Nascimento de Andrade. Esses dados, os depoimentos, somados às conversas telefônicas grampeadas com autorização judicial, levaram a polícia a suspeitar do envolvimento direto de Agnelo Queiroz no esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo e levaram o caso para o STJ.

AE, Agência Estado

21 de outubro de 2011 | 08h04

Ao Ministério Público Federal, o delegado responsável pelas investigações, Giancarlo Zuliani Junior, sugeriu a quebra do sigilo do telefone usado por Agnelo e uma análise dos dados das Estações Rádio Base, que fazem a conexão entre os telefones celulares e a companhia telefônica. Com isso, seria possível dizer se Agnelo conversou com integrantes do esquema no dia em que o dinheiro teria sido entregue. Ao requerer à Justiça Federal, o encaminhamento das investigações para o STJ, em razão dos indícios contra Agnelo, que tem foro privilegiado como governador do DF, o procurador da República José Diógenes Teixeira já indicava que as quebras de sigilo podem ser requisitadas.

Os R$ 256 mil que a testemunha disse terem sido pagos a Agnelo dentro de uma mochila foram sacados da conta da empresa Infinita Comércio e Serviços de Móveis LTDA nos dias 7 e 8 de agosto de 2007. A Infinita é uma das empresas que teria fornecido notas fiscais falsas para encobrir o desvio de recursos públicos. Conforme depoimento de Geraldo Nascimento de Andrade, o dinheiro foi entregue à noite no estacionamento de uma concessionária na cidade satélite de Sobradinho.

Nascimento relatou ter seguido de carro com Eduardo Pereira Tomaz, assessor de João Dias nos projetos do Segundo Tempo, para o estacionamento. Pouco depois do horário marcado, um Honda Civic preto estacionou ao lado do carro em que estava. Eduardo teria entregue a mochila com o dinheiro. Os R$ 256 mil teriam sido desviados de um dos convênios firmados pelo Ministério do Esporte e assinado pelo então secretário-executivo e atual ministro Orlando Dias.

Em uma das gravações encaminhadas ao STJ, Ana Paula Oliveira de Faria, a mulher de João Dias, policial militar dono da Federação Brasiliense de Kung Fu (Febrak), telefona para Agnelo para avisar que o marido estava sendo preso. Ana Paula relatava a uma secretária de Agnelo que o marido, assim que foi preso, pediu para que ela o avisasse.

"O Agnelo...ele...ele tem que saber disso", relatou Ana Paula. "Eu só queria que você conversasse com o Agnelo, porque assim, o João pediu", acrescentou no telefonema. "Tá bom, Ana Paula, eu vou passar o número dele e peço para o Agnelo ligar, tá?", respondeu a secretária no telefonema. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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