Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

São Paulo também guarda memória da Proclamação da República

Embora interior do Estado e Rio de Janeiro guardem as relíquias do período, capital paulista também tem marcos e curiosidades

Gilberto Amendola, O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2019 | 05h00

SÃO PAULO - Nem só de nome de rua vive a memória da cidade de São Paulo em relação à Proclamação da República. Embora o interior do Estado e o Rio de Janeiro guardem as relíquias mais representativas, também é possível encontrar marcos importantes e curiosidades do período por aqui.

É na Praça da República, por exemplo, cujo o próprio nome dispensa explicações, que está o edifício Caetano de Campos, sede da primeira Escola Normal Paulista – e que hoje é sede da Secretaria Estadual da Educação. “Os republicanos, e Caetano de Campos foi um republicano de primeira hora, acreditavam que era pela educação que iriam mudar a sociedade. Para eles, o prédio das escolas deveriam ser verdadeiros templo da civilização”, conta o historiador Diógenes Lawand, do núcleo de memória do Centro de Referência em Educação Mario Covas (CRE Mario Covas).

“O prédio foi planejado no local em que seria construída pelo Império a Catedral de São Paulo. Chegando ao poder, os republicanos decidiram usar o dinheiro destinado à catedral para a construção de uma escola”, completou Lawand.

O edifício Caetano de Campos foi inaugurado em 2 de agosto de 1894. O projeto foi autorizado em 1890 por meio de um decreto assinado pelo então presidente da Província, Prudente de Moraes. A construção do prédio foi iniciada pelo então Superintendente de Obras Públicas, Antonio Francisco de Paula Souza, e concluída pelo arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo – que seguiu um estilo arquitetônico neoclássico. Foi também nesse período que a Escola Normal passou a ser conhecida por Caetano de Campos, em uma homenagem ao seu diretor. Apesar de sua enorme importância histórica, o prédio quase foi demolido no final da década de 1970, para a implantação da linha Leste-Oeste do metrô.

Outro marco da República na cidade é a Faculdade de Direito do Largo São Francisco. “Muitos consideram que foi da Faculdade de Direito do Largo São Francisco que partiram os principais movimentos do século 19: o abolicionismo e o movimento republicano. De fato, essa faculdade sempre foi um lugar de concentração intelectual, um celeiro de homens públicos”, contou a museóloga Heloisa Barbuy, especialista no acervo da faculdade.

Entre as figuras históricas da faculdade, Heloísa destaca Américo Brasiliense – que já em 1873 participava a convenção de Itu, que deu início ao movimento republicano em São Paulo. Existe um retrato dele na galeria de retratos da Faculdade de Direito.

Além dele, o Barão do Rio Branco (embora fosse uma figura do Império, teve atuação destacada no período republicano) e Rui Barbosa também são homenageados com bustos no salão nobre da faculdade. Barbosa, aliás, também está representado em uma pintura dentro do gabinete do diretor. O poeta Olavo Bilac, que não foi um aluno formal da faculdade, mas frequentou seus corredores por dois anos, tornou-se uma espécie de herói para os alunos (devido, entre outras coisas, aos seus discursos apaixonados em defesa da República). Em 1922, foi homenageado com o monumento Beijo Eterno (criação do escultor sueco William Zadig).

Curiosidades. Arquivos históricos da cidade também guardam algumas curiosidades sobre o período. No acervo do Museu Paulista (USP), localizado nas proximidades do Parque da Independência, é possível encontrar um bilhete trocado entre dois possíveis amigos, enviado exatamente no dia da Proclamação da República. Neste bilhete, um interlocutor se oferece para pagar um almoço ao amigo, um “almoço pela República”.

Ainda no arquivo do Museu Paulista é possível encontrar uma espécie de cartaz com a esfinge de todo Legislativo e Executivo do início da República – bem como um retrato da direção do Partido Republicano de São Paulo.

No Arquivo Público do Estado de São Paulo existem outras curiosidade do período, como um documento enviado por um grupo de portugueses demonstrando apoio à Proclamação da República. Além disso, encontra-se no arquivo a ata de uma reunião entre as principais figuras da movimento republicano, realizada poucos dias após a Proclamação.

Existem também muitos ofícios, tanto de órgãos públicos quanto de municípios, empenhando apoio ao novo regime. Além de documentos demonstrando o preenchimento da máquina pública nos anos posteriores à proclamação.

Os acervos do Museu Paulista e do Estado são abertos ao público e podem ser consultados mediante agendamento. 

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